O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta sexta-feira (26) que caso o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), desista de disputar a eleição presidencial em 2026, que o seu partido tem outros dois nomes fortes para concorrer à sucessão de Lula (PT) no Planalto: os governadores Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul.

Com a provável desistência de Tarcísio, cresce nos bastidores a força de Ratinho Junior como nome da direita para enfrentar Lula nas urnas no próximo ano. Nos últimos meses, Kassab tem aproximado Ratinho Jr. de setores estratégicos no país, como empresários, o mercado financeiro e atores influentes da política.

Em julho, o governador do Paraná participou de encontro na Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) e na Associação Comercial do Rio de Janeiro. Neste mês, a Associação Comercial de São Paulo recebeu o governador paranaense que discorreu sobre a economia do Paraná. A ida aos dois estados ajuda a ampliar a visibilidade de Ratinho como pré-candidato ao Planalto.

Kassab, no entanto, reafirmou que a meta é apoiar Tarcísio. "O PSD tem o seu rumo. Ou é com o governador Tarcísio, o governador Ratinho Júnior ou o Eduardo Leite. Isso é algo que está pacificado dentro do partido e, portanto, vamos aguardar [a decisão do Tarcísio]", disse Kassab.

O líder do PSD também comentou o suposto desânimo do governador paulista para concorrer à Presidência da República, depois de receber ataques de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro que está nos Estados Unidos e também almeja ser candidato a presidente no próximo ano.

“Ele tem dito isso, que não vai sair presidente. E, da nossa parte, tem o nosso respeito, qualquer que seja sua decisão. Estaremos juntos seja na candidatura a governador, seja de presidente da República. Ele tem que fazer suas análises para saber quais são os rumos melhores para sua carreira e para o estado de São Paulo”, disse Kassab ao G1.

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As declarações de Kassab foram dadas durante a participação dele no 18º Encontro de Líderes promovido pela ONG Comunitas.

O líder nacional do PSD comentou ainda sobre o lançamento da pré-candidatura do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), mas defendeu que é preciso esperar uma decisão de Tarcísio para definir apoio do partido.

“Entendo que o Tarcísio tem grandes chances de unir todos no 1° turno. E caso ele não seja candidato – é uma decisão dele – nós poderemos estar todos juntos no 1° turno, mas poderemos também estar todos juntos no 2° turno”, analisou Kassab.

Questionado se o Congresso Nacional deveria discutir anistia aos condenados pela tentativa de golpe de estado no Brasil em janeiro de 2023, Kassab defendeu que sim. “Qualquer que seja a anistia, sempre poderá ser um avanço. Sou um democrata e entendo que o Judiciário, o Executivo e o Legislativo estão precisando de uma concertação aqui no Brasil pra que seja bem definidas as suas ações. E esse projeto [da anistia] vem num momento que a sociedade defende uma anistia”, afirmou.

Interlocutores próximos ao governador de São Paulo afirmam que a estratégia política de Tarcísio estaria concentrada em tentar a reeleição ao governo de São Paulo em 2026. Além da fragmentação da direita com vários candidatos querendo disputar a presidência, pesariam na sua decisão o risco de depender do apoio da família Bolsonaro para viabilizar uma candidatura nacional.

No auge do tarifaço, em julho, Tarcísio participou de uma reunião virtual com Eduardo Bolsonaro e o youtuber Paulo Figueiredo . Na ocasião, alertou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil trariam consequências negativas para a direita, fortaleceriam Lula e, ao final, obrigariam o presidente Donald Trump a adotar uma solução pragmática diante da pressão do setor produtivo americano. Esse cenário acabou se confirmando. Em consequência, Eduardo fez ataques ao governador de São Paulo nas redes sociais.

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