Presidente da Câmara tenta reativar Comissão Processante contra prefeito de Assaí
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segunda-feira, 08 de junho de 2020
Rafael Machado - Grupo Folha 
O presidente da Câmara Municipal de Assaí (Norte Pioneiro), Amarildo Aparecido Correa, do PSB, contestou a decisão do juiz Fernando Porcino Gonçalves Pereira, da Vara da Fazenda Pública, que suspendeu liminarmente a sessão extraordinária de abertura de uma Comissão Processante contra o prefeito da cidade, Acácio Secci, do Cidadania. Ele foi denunciado por suposto assédio sexual praticado contra uma professora da rede municipal.

De acordo com a denúncia, o caso teria acontecido quando os dois trocaram mensagens e fotos por meio de um aplicativo. A sessão que oficializou a investigação ocorreu no dia 30 de abril e teve um placar apertado. Dos nove parlamentares, cinco votaram a favor e quatro contra. Os componentes da comissão até chegaram a ser escolhidos em outra reunião, mas o grupo foi temporariamente cancelado pela Justiça.
No requerimento, Correa questiona a defesa do prefeito de que ele, enquanto comandante do Legislativo, não poderia ser o primeiro a votar. "O regimento prevê a votação por ordem alfabética, por isso que inaugurei a apreciação do caso". O vereador também rebateu o argumento da maneira como o encontro extraordinário foi marcado. "Tomei todas as precauções para que não infringíssmos a nossa legislação interna. Obedeci ao prazo estabelecido pra agendar a análise da denúncia, que é de 48 horas. Tentaram induzir o juiz ao erro", explicou.
O presidente da Câmara ressaltou que os trabalhos presenciais da Casa foram cancelados por causa da pandemia do novo coronavírus, mas um decreto permite a realização de sessões extraordinárias. O advogado de Acácio Secci, Dely Dias das Neves, ponderou que Correia teria interesse político ao participar da votação. "Assaí tem vice-prefeita. Na linha de sucessão e pensando em uma eventual saída, ela assumiria o cargo. Eu sou pré-candidato a vereador", disse. Inês Koguissi (Cidadania) está licenciada da função porque atualmente está na coordenadoria do Sistema Estadual de Museus do Paraná da Secretaria de Cultura do Paraná.
Procurado pela FOLHA, o defensor do gestor do Executivo da cidade do Norte Pioneiro informou que ainda não foi intimado para responder a manifestação do vereador. Ele criticou a rapidez em que o assunto foi votado. "Em plena pandemia e com o decreto de trabalho remoto, o presidente recebeu a reclamação na segunda-feira e na sexta já tinha marcado a sessão, não justificando o motivo para a convocação".
O advogado observou que não houve assédio de Secci, mas um relacionamento virtual com a servidora. "Ela (denunciante) também mandou fotos para o prefeito. Nunca aconteceu nada físico, onde a pessoa, na nossa versão, utiliza trechos de mensagens e não expõe o conteúdo integral". A solicitação de revogar a determinação da anulação da Comissão Processante ainda não foi analisada pelo magistrado.


