Prefeitura pode parcelar recomposição inflacionária de servidores
Possibilidade consta no projeto do Plano Plurianual em discussão na Câmara. Administração ‘conta as moedas’ para fechar 2025 no azul
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de outubro de 2025
Possibilidade consta no projeto do Plano Plurianual em discussão na Câmara. Administração ‘conta as moedas’ para fechar 2025 no azul

As dificuldades financeiras da Prefeitura de Londrina podem impactar a forma de aplicação da recomposição inflacionária do funcionalismo municipal em 2026. O PL (Projeto de Lei) 268/2025, que institui o PPA (Plano Plurianual) 2026-2029 e será votado em primeiro turno nesta quinta-feira (23), prevê o parcelamento do reajuste estimado em 4,95%, correspondente à inflação acumulada. A proposta é pagar metade em fevereiro, data-base dos servidores, e o restante em setembro.
A FOLHA apurou que a administração está “contando as moedas” para evitar encerrar 2025 no vermelho, e parte do déficit pode acabar sendo empurrada para 2026. Faltam cerca de R$ 120 milhões para equilibrar o caixa. A principal aposta é o programa Regulariza Londrina, que já renegociou R$ 70 milhões em dívidas e arrecadou aproximadamente R$ 20 milhões em valores efetivos.
Para 2026, o substitutivo ao PPA apresentado pelo Executivo projeta um aumento de 6,4% nas despesas com pessoal e encargos sociais de servidores ativos, inativos e pensionistas. O índice engloba os 4,95% da inflação mais um crescimento vegetativo de 1,44% no cálculo atuarial.
Nos corredores da Prefeitura, o discurso é de que, caso haja disponibilidade financeira em fevereiro, a recomposição será paga em parcela única. O parcelamento ocorreria apenas se “a situação não permitir outra alternativa”, conforme explicou uma fonte.
Em 2024, último ano da gestão Marcelo Belinati (PP), o reajuste de 3,82% foi pago integralmente em fevereiro. Em 2025, no primeiro ano da gestão Tiago Amaral (PSD), a recomposição de 4,17% também foi concedida de uma só vez em fevereiro, após aprovação de projeto de lei na CML (Câmara Municipal de Londrina).
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SINDSERV OBSERVA
A situação é acompanhada de perto pelo Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina). O presidente da entidade, Fábio Molin, lembra que a recomposição vem sendo garantida de forma integral há 18 anos, mesmo em períodos críticos para Londrina. “A atual administração iniciou sua gestão em 2025 cumprindo essa pauta essencial junto à categoria, sendo o segundo prefeito [o outro foi Alexandre Kireeff, em 2013], entre os últimos cinco, a assegurar a recomposição no primeiro ano de mandato, no mês da data-base”, afirma Molin.
Segundo ele, a previsão de parcelamento no PPA já é tema de negociação com o Executivo. “No entanto, entendemos que esse ponto da pauta sequer deveria ser colocado em discussão, pois trata-se de um dever mínimo do gestor: recompor o salário do servidor, corroído pela inflação dos últimos 12 meses”, acrescenta. “Não deveria se tratar de uma pauta negociável. Não é razoável sugerir a um trabalhador que assuma o prejuízo para que o empregador possa reformar ou ampliar sua empresa — e, ainda assim, esperar dele motivação para continuar produzindo.”
O sindicato defende que a Prefeitura altere o PPA para garantir o pagamento integral da recomposição inflacionária em fevereiro.
‘COMPROMISSO’
Em nota encaminhada à FOLHA, a Prefeitura de Londrina reafirmou o compromisso com a recomposição salarial dos servidores, mas destacou que o pagamento será feito em duas parcelas.
“Mesmo diante dos desafios econômicos e orçamentários enfrentados pelo município, a administração mantém o compromisso com os servidores, reconhecendo o papel essencial que cada profissional desempenha na oferta de serviços de qualidade e no funcionamento da cidade. Reconhecimento que sempre ocorrerá nessa gestão”, diz a nota. "No primeiro ano da atual gestão, a Prefeitura concedeu a recomposição integral da inflação em uma única parcela, medida que demonstra responsabilidade fiscal, respeito e valorização do funcionalismo público.”


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.





