Prefeitos abandonam PL em massa após filiação de Sergio Moro
Rebelião é liderada pelo deputado Fernando Giacobo que deixou o comando do partido no Estado e anunciou apoio a Ratinho Junior
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de março de 2026
Rebelião é liderada pelo deputado Fernando Giacobo que deixou o comando do partido no Estado e anunciou apoio a Ratinho Junior

Curitiba - Prefeitos eleitos pelo PL em 2024 anunciaram na manhã desta quinta-feira (26) que pretendem deixar o partido para apoiar o candidato do governador Ratinho Junior (PSD) ao governo do Estado. A decisão foi tomada após a filiação do senador Sergio Moro, que deixou o União Brasil para concorrer ao governo pelo PL. O movimento é liderado pelo deputado federal Fernando Giacobo, que era presidente estadual do PL e anunciou seu desligamento na terça-feira (24), mesmo dia em que Moro assinou sua ficha de filiação.
Segundo Giacobo, 48 dos 53 prefeitos do PL no Estado participaram do evento, realizado em um hotel no Centro Cívico, em Curitiba. De acordo com o deputado, um prefeito ainda está indeciso e os demais não puderam comparecer por terem outros compromissos. O prazo para a troca de partido é o dia 3 de abril. Giacobo deverá se filiar ao PSD de Ratinho Junior e poderá ser convidado para assumir uma secretaria.
O evento de desfiliação teve a presença de prefeitos de grandes cidades do Estado, como Renato Silva, de Cascavel; Silva e Luna, de Foz do Iguaçu; e Denilson Baitala, de Guarapuava. Além do PSD, partidos como PP, Solidariedade, Republicanos e União Brasil deverão receber os descontentes. Renato Silva teria um convite para se filiar ao Solidariedade.
A maioria dos presentes evitou criticar Sergio Moro e atribuiu a desfiliação à fidelidade ao grupo político de Ratinho Junior, mas Fernando Giacobo disse que não poderia permanecer no partido e apoiar o ministro que deixou o governo de Jair Bolsonaro atacando o então presidente. Ao deixar o Ministério da Justiça, em maio de 2021, Moro acusou Bolsonaro de tentar controlar a Polícia Federal para proteger seus filhos – entre eles o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República.
“Eu não posso jogar minha biografia na lata do lixo. Não é nada fácil estar aqui hoje pedindo a minha desfiliação, mas como concordar em receber no nosso partido um cidadão que, quando saiu do Ministério da Justiça, saiu dizendo em alto e bom som que iria derrubar o presidente da República e que iria pôr ele na cadeia, porque ele era um corrupto?”, questionou Giacobo. “Como que eu vou ficar do lado de um cidadão que foi depor na Polícia Federal dizendo que no Palácio do Planalto existia uma antessala chamada gabinete do ódio? Eu não tenho como ir na filiação e tirar foto com ele.”
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O prefeito de Assis Chateaubriand, Marcel Micheletto, lembrou que Sergio Moro tentou se candidatar ao Senado por São Paulo e que a mulher do ex-juiz, Rosângela Moro, foi eleita deputada federal pelo estado vizinho. “Acima de qualquer partido, temos que ter respeito, temos que ter princípios. Tem gente que é deputada por São Paulo, tem gente que tentou ser senador por São Paulo, tem gente que traiu muita gente”, disse o prefeito, que é presidente da AMP (Associação dos Municípios do Paraná).
Micheletto lembrou ainda que havia um compromisso do PL para apoiar o candidato de Ratinho Junior em troca do apoio à candidatura do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) ao Senado. “Até dias atrás, os nossos parlamentares do PL diziam que o governador é o melhor do Brasil. E agora, de última hora, vem (uma ordem) de cima para baixo dizer que não estamos mais com ele. Nós não seremos ingratos com aquele que tem a maior aprovação. Nós queremos debater o Paraná, sobre a pauta nacional quem tem que falar é o candidato a presidente da República. De 399 prefeitos do Estado, 390 estão ao lado do governador”.
Prefeito de Foz do Iguaçu, Joaquim Silva e Luna disse que “não tem o direito” de ser desleal com Ratinho Junior. “Na minha vida, eu perdi o direito de ter medo e perdi o direito de ser desleal. Eu recebi apoio do governador em tudo. Isso demonstra a nossa união e como o nosso governador tem um apoio equilibrado em todos os municípios.”
TENTATIVA DE REVERTER
No lado oposto, Sergio Moro e Filipe Barros se preparam para tentar convencer os prefeitos a permanecerem no PL. Eles darão início a uma série de reuniões nos próximos dias. “Assumi o partido por decisão do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. A partir de agora, com muita responsabilidade e respeito, juntamente com nosso pré-candidato a governador Sergio Moro, vamos dialogar com todos os prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais”, afirmou Barros em nota.
Moro se filiou ao PL na terça-feira (24), em Brasília, ao lado de Valdemar Costa Neto, Flávio Bolsonaro e Filipe Barros. O acordo, que garante um palanque para Flávio Bolsonaro no Estado, inclui o apoio à candidatura ao ex-procurador e ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Partido Novo) ao Senado. Com isso, a chapa deverá ter Dallagnol e Barros como candidatos a senador. Em setembro do ano passado, quando ainda estava no União Brasil, Moro convidou Cristina Graeml (derrotada no segundo das eleições para e prefeitura de Curitiba em 2024) para se filiar ao partido e disputar uma vaga no Senado.

Guto Silva deverá ser candidato a vice; nome de Eduardo Pimentel ganha força no PSD
O secretário estadual das Cidades, Guto Silva, não deverá ser o escolhido por Ratinho Junior para disputar o governo pelo PSD. Silva era um dos cotados, mas sua baixa pontuação nas pesquisas de intenção de voto teriam levado o governador a desistir da indicação. Segundo fontes ligadas ao Palácio Iguaçu, o secretário deverá ser candidato a vice na chapa do PSD ou mesmo a suplente de senador.
Um nome que ganhou força no PSD na semana passada foi o do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel. Ratinho Junior estaria tentando convencer Pimentel a se desincompatibilizar para disputar o governo pelo PSD. O tempo é curto, já que ele teria que tomar a decisão de deixar a prefeitura da capital até o dia 3 de abril.
Com esse movimento, Ratinho Junior tentaria atrair novamente o Partido Novo para a coligação do PSD. Ligado a Ratinho Junior, o vice-prefeito de Curitiba e ex-deputado federal Paulo Martins trocou o PL pelo Novo em julho do ano passado. Se Pimentel aceitar disputar o governo, a prefeitura da capital passará a ser administrada pelo Novo – seria a primeira capital governada pelo partido, criado em 2011.
Na terça-feira, mesmo dia em que Sergio Moro assinou sua ficha de filiação no PL, o diretório estadual do Novo emitiu uma nota afirmando que vai apoiar a candidatura do ex-juiz da Lava Jato ao governo. “No Paraná, Novo e PL passam a caminhar juntos em torno de um projeto sólido e vencedor: um Estado mais eficiente, com responsabilidade fiscal, segurança jurídica, incentivo a quem produz e combate firme à corrupção”, diz a nota.
Além do Novo, Ratinho Jr já perdeu o apoio do MDB, que filiou Rafael Greca e anunciou o ex-prefeito de Curitiba como pré-candidato ao governo. Greca era um dos cotados para disputar o governo pelo PSD, ao lado de Guto Silva e do deputado Alexandre Curi, presidente da Alep ( Assembleia Legislativa do Paraná). Curi aguarda uma definição por parte de Ratinho Jr e tem convite do Republicanos para concorrer ao governo.


José Marcos Lopes
Repórter colaborador baseado em Curitiba, com foco em política estadual.





