O troca-troca de partidos para viabilizar candidaturas para reeleição no Congresso e na AL (Assembleia Legislativa) terá mais um fim de semana de intensas movimentações. O Progressistas, partido que tem como principal liderança o deputado federal Ricardo Barros, começa a ganhar musculatura no Estado. O principal anúncio é do ex-chefe da Casa Civil do Governo Ratinho Junior (PSD), deputado estadual Guto Silva, que deixa o PSD para migrar para o PP a fim de consolidar sua candidatura ao Senado. O evento será neste sábado (12), em Curitiba, com a presença do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Imagem ilustrativa da imagem PP e PSD ganham musculatura 
no Estado na janela partidária
| Foto: Pedro Oliveira/ALEP

Além de Guto Silva, o PP receberá mais dois deputados federais. Cristiane Yared sai do PL (Partido Liberal) e o deputado Pedro Lupion deixa o União Brasil (fusão do Democratas com PSL) para compor o grupo pepista. No caso de Yared, a mudança é mais de cálculo eleitoral na nova legenda, mesmo porque ela já estava no partido do presidente Jair Bolsonaro (PL). Já em relação a Lupion, que é um dos deputados da base governista, a mudança faz algum sentido porque o União Brasil poderá apoiar outro candidato à Presidência. Na Assembleia Legislativa, a legenda amplia sua base com a saída do deputado estadual Tião Medeiros do PTB, de Roberto Jefferson.

Guto Silva disse que a escolha pelo Progressistas foi porque o partido está dentro do arco de alianças para a reeleição de Ratinho Junior (PSD). "Além de ser partido muito forte em todo Estado, com prefeituras como de Londrina, do prefeito Marcelo Belinati, no PP tenho condições de pavimentar minha candidatura ao Senado. O PP dará apoio ao governador e estará no palanque do presidente Jair Bolsonaro."

Questionado se a aliança PP e PSD afasta qualquer dúvida sobre qual palanque Ratinho Junior irá dividir, o deputado enxerga que a tendência é do governador repetir o apoio a Bolsonaro. "Na verdade, o governador tem espaço para definir a construção eleitoral até junho e julho e da mesma forma o presidente. É uma construção partidária, tijolo a tijolo. Eu vejo como natural, pois já vem de uma aliança passada com o presidente Jair Bolsonaro e agora naturalmente tem esse caminho a percorrer até as eleições. Mas é sabido que o PSD poderá ter uma candidatura própria e então o governador precisa construir todo esse desenho eleitoral para que a gente possa ter um palanque que no futuro nos dê alinhamento político para fazer investimento no Estado", respondeu Guto Silva.

A entrada dele no PP de Barros e a aliança em torno do governador afastam temporariamente a tentativa de reaproximação do Podemos, que queria o apoio de Ratinho Junior para a reeleição de Alvaro Dias ao Senado, e também ao presidenciável paranaense, Sergio Moro.

leia mais: PSB do Paraná é contra federação partidária com o PT

DEBANDADA NO PSB

Palácio do Congresso Nacional na Esplanada dos Ministérios em Brasília
Palácio do Congresso Nacional na Esplanada dos Ministérios em Brasília | Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Apesar da Federação entre PSB e PT não ter sido consolidada, o partido socialista anunciou como novo membro nesta última semana o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que poderá ser vice na chapa do ex-presidente Lula. Com essa reaproximação do PSB com a esquerda, os cinco deputados estaduais que estão na agremiação no Paraná deverão mudar de partido e a maioria deverá ingressar no PSD. Um deles é o deputado Tiago Amaral (PSB), que deverá migrar para o PSD, partido do governador. Outros parlamentares do PSB que devem ir seguir o mesmo rumo são Alexandre Curi, Artagão Junior, Jonas Guimarães e Luiz Claudio Romanelli. No Estado, o então líder do PSB, Severino Araújo, foi substituído pelo deputado federal Luciano Ducci (PSB), que ficará na legenda na tentativa de reeleição.

Por conta dos desgastes do o PTB de Jefferson, a deputada federal Luísa Canziani também aproveitou a janela partidária para filiar-se ao PSD neste sábado. A parlamentar segue o caminho do pai, o secretário municipal de governo de Londrina e ex-deputado Alex Canziani (PSD), que disputará uma vaga na Assembleia. A deputada Leandre (PV) também anunciou que irá compor o partido liderado nacionalmente pelo ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab. No caso de Leandre, o anúncio tem relação com a federação do PV com PT e PC do B em nível nacional. O evento de filiação das duas deputadas será no Clube Urca, em Curitiba.

ANÁLISE

Para o analista político Elve Cenci, a tendência é que o PP é um dos partidos que mais devem crescer nacionalmente junto com o PL com a filiação de Bolsonaro. Hoje o Progressistas conta com 43 deputados federais. "O PL poderá saltar de 42 para 55, segundo projeções", diz.

Segundo ele, apesar do anúncio das duas novas deputadas paranaenses, o PSD no âmbito nacional poderá não ter crescimento da sua bancada no Congresso. "O PSD ainda não definiu quem apoiará para presidente. Essa indefinição afugenta quem está na base do governo."

Por outro lado, Cenci pondera que a maioria dos parlamentares filiados à legenda não tem crise ideológica. "Aqui no Estado tem essa tendência dos deputados migrarem para o PSD por causa do Ratinho Junior. Eles por enquanto estão observando o cenário, mas é um partido do centrão. Ou seja, o centrão nunca perde eleição, fica com quem ganhar: pode apoiar Lula ou Bolsonaro."

O dia 2 de abril é o prazo final da janela partidária, quando os deputados poderão trocar de partidos. "Esse é um momento decisivo para fazer uma escolha correta ou comprometer uma eventual reeleição, seja para Assembleia, Câmara de Deputados ou a qualquer cargo", ressalta Cenci.

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