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Londrina

Política

Atualizado em 14/07/2017, 19:04

Podemos: nem de esquerda, nem de direita

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de julho de 2017

Mariana Franco Ramos <br>Reportagem Local
AUTOR autor do artigo

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"Queremos implantar no Brasil a ideia do partido movimento", diz Alvaro Dias, que pretende se lançar ao Palácio do Planalto em 2018 "Queremos implantar no Brasil a ideia do partido movimento", diz Alvaro Dias, que pretende se lançar ao Palácio do Planalto em 2018
"Queremos implantar no Brasil a ideia do partido movimento", diz Alvaro Dias, que pretende se lançar ao Palácio do Planalto em 2018 |  Foto: Roque de Sá/Agência Senado


Curitiba – Com uma bancada de 14 deputados federais e dois senadores, incluindo o paranaense Alvaro Dias e o carioca Romário, o Podemos aposta no desgaste dos partidos tradicionais para conquistar a simpatia – e o voto – dos eleitores a partir de 2018. A legenda, contudo, não é exatamente nova. Trata-se de uma atualização do PTN, criado em 1945 e que chegou a alçar, nove anos depois, Jânio Quadros ao governo de São Paulo, imortalizando o slogan anticorrupção "Varre, varre, vassourinha". A autorização para mudar de nome foi obtida em maio último, junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que dispensa a corrida por assinaturas.

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"Quem quer servir nessa empreitada de mudança no País sente a angústia da própria impotência ao integrar partidos políticos desgastados, sem credibilidade. Sentimos que a nossa contribuição não pode ser considerada adequada. Daí a razão desse movimento", resumiu à FOLHA Alvaro, que deixou o PSDB e, mais recentemente, o PV. "É uma tentativa de mudar; mudança de comportamento, de cultura política e mudança de sistema de governança, sobretudo. Espero poder contribuir melhor num partido que começa agora, sem passado que o comprometa, e certamente mais próximo das aspirações da população", completou.

Nascido em Quatá, no interior de São Paulo, mas criado em Maringá, o porta-voz do "novo" partido tem 50 anos de vida pública. Começou como radialista e vereador em Londrina, em 1968, pelo MDB, percursor do PMDB. Na sequência, se elegeu deputado estadual, deputado federal, governador do Estado e senador. Passou ainda por PST, PP e PDT. Atualmente, é o nome mais cotado do Podemos para disputar a Presidência da República. "Se há uma construção, com o objetivo de oferecer ao País um projeto, obviamente tem de se apresentar o porta-voz desse projeto. Houve essa preocupação, um chamamento, e eu não posso fugir à responsabilidade. Mas candidaturas só irão surgir quando se iniciar o processo eleitoral, o que também nos dá tempo", despistou.
Além da bancada em Brasília, o Podemos já surgiu com 2.324 executivas municipais, 760 vereadores, 30 prefeitos, 54 vice-prefeitos e 17 deputados estaduais. No Paraná, as principais lideranças são o empresário Joel Malucelli e o ex-prefeito de Londrina Alexandre Kireeff. Alvaro tenta, ainda, convencer o irmão, Osmar, a se somar ao grupo. Assim, ambos estariam no mesmo palanque em 2018, uma vez que o hoje pedetista almeja suceder Beto Richa (PSDB) na chefia do Palácio Iguaçu. "Se houver essa filiação [dele] ao partido, será inevitável estarmos juntos."

A inspiração do Podemos vem da sigla homônima da Espanha e do francês En Marche. Diferentemente dos "irmãos" europeus, com inclinação mais à esquerda, a "filial" brasileira se coloca no centro do espectro político. "Há vários novos partidos, mas não com esse objetivo de mudança. Partiam do favorecimento, do oportunismo, do aproveitamento do fundo partidário, se colocando no mercado como moeda de troca, como instrumento de barganha, principalmente no processo eleitoral. Estamos tentando mudar o conceito de partido político. Não será vinculado a ideologias extremadas - nem extrema direita, nem extrema esquerda, essa dicotomia que não leva a nada", disse Alvaro.

"O que queremos é implantar no Brasil a ideia do partido movimento, de causas; que não seja estático. As causas mudam e nós temos que acompanhar a dinâmica da sociedade, com as prioridades se alterando conforme o momento vivido. Tudo isso com muita transparência. Seremos implacáveis no combate à corrupção", prosseguiu. O senador não descartou a possibilidade de costurar alianças, entretanto, garantiu que a prioridade será romper com o sistema atual, de coalizão. "Fazem cooptação de um maior número possível de partidos políticos exatamente para dividir o bolo. E o bolo se torna pequeno para tantas bocas que desejam comê-lo. Queremos combater esse sistema que deu origem ao Mensalão e ao Petrolão. Alianças só ocorrerão se os aliados aceitarem o projeto de ruptura. Mas, para boa parte dos políticos, esse discurso não agrada aos ouvidos."