Agentes da PF (Polícia Federal), em Londrina, cumpriram nesta quinta-feira (19) dois mandados de busca e apreensão em Tamarana (Região Metropolitana de Londrina), incluindo endereço na zona rural do município, tendo como alvos os vereadores Mário Cesar Fabiano (PSDB) e Anauto Souza de Gouvea (REPUBLICANOS). Eles investigados pelo crime de violência política de gênero, supostamente praticado contra as parlamentares Angélica de Oliveira Lima e Jislaine Pereira Ferraz, ambas do PSD.

O objetivo da PF na Operação Liberdade Democrática, deflagrada nesta quinta-feira, foi obter provas relacionadas ao crime a partir de denúncias das vereadoras, além de apurar eventuais infrações conexas vinculadas ao exercício de mandatos eletivos na Câmara. As ordens judiciais foram expedidas pelo 6º Juízo das Garantias do Núcleo 6 da Justiça Eleitoral de Londrina, no contexto de uma investigação iniciada em dezembro de 2023. Os alvos tiveram seus aparelhos celulares apreendidos, que podem conter informações relevantes para o aprofundamento dos trabalhos.

Durante o cumprimento dos mandados, também foram localizadas e apreendidas armas de fogo e munições em situação irregular e, assim, o filho de um dos vereadores foi preso em flagrante. O material recolhido passa por análise.

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‘Embates acalorados’

Tanto Angélica, 46, quanto Jislaine, 44, são professoras e estão em seus segundos mandatos consecutivos. Ambas teriam sido objeto de ofensas e constrangimento durante sessões no Legislativo por parte de Fabiano, 52, e Gouvea, 59, vereadores há mais tempo.

Maurício Carneiro, advogado de Fabiano, garantiu que “não existe, por parte do Mário Cesar, nenhum tipo de descumprimento da legislação e agressão”, pontuando que a ação da PF foi “totalmente desnecessária”.

Disse ainda que o parlamento é local de embates que podem se tornar acalorados, sendo que todos devem cumprir o regimento interno. “Tanto a mulher como o homem têm a força do debate. Dentro das condutas dos vereadores, sejam eles do sexo masculino ou feminino, é exigido limite no tempo de fala. Não consta no regimento interno de Tamarana que a mulher pode falar 45 minutos e que o vereador do sexo masculino pode falar cinco”.

Citando as diferenças partidárias entre os alvos da PF e as denunciantes, “oposição ferrenha no município”, o advogado pontuou que “estão transformando uma questão eleitoral em um procedimento criminal que não vai tipificar”. Sem dar mais detalhes, explicou que todos os procedimentos do caso tramitam em sigilo, incluindo medidas cautelares concedidas pela Justiça Eleitoral que Fabiano deve cumprir. Ficou decidido que o vereador não pode manter contato com Angélica Lima e Jislaine Ferraz fora da Câmara, além de não poder assumir a presidência da Casa enquanto a investigação estiver em andamento, cargo que ele já ocupou anteriormente.

Carneiro justificou que “Fabiano tem um modo diferente de ser”, dizendo que seu cliente já foi réu de um caso envolvendo servidores. “Depois que nós oferecemos a defesa, o juiz reconheceu que não existia nada daquilo ali, existia um calor na discussão, porque lá nós temos uma política muito intensa, e ganhamos na Justiça”, recordou o defensor.

Posicionamentos

A reportagem não conseguiu contato com o segundo alvo da operação, Anauto de Gouvea. As vereadoras Lima e Ferraz foram encontradas, mas não retornaram até a publicação da reportagem.

A Câmara Municipal de Tamarana é composta por nove parlamentares, sendo seis homens e três mulheres. A mais nova representante feminina na Casa, Valdenice Carneiro Gouveia Paz (PSD), foi eleita para a gestão de 2025 a 2028.

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