A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrida na manhã deste sábado (22) em Brasília, provocou forte mobilização nas redes sociais e dividiu lideranças políticas. Bolsonaro foi detido por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), após a Polícia Federal identificar convocações para uma vigília em frente ao condomínio onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. A medida, segundo a PF, atende a um mandado expedido no âmbito do processo que apura a tentativa de golpe de Estado.

Nas primeiras horas do dia, aliados e opositores inundaram as plataformas digitais com manifestações. No círculo íntimo do ex-presidente, a primeira-dama Michelle Bolsonaro foi a voz mais enfática. Em texto longo, ela citou trechos bíblicos, afirmou confiar na “Justiça de Deus” e disse que Bolsonaro enfrenta sequelas permanentes da facada de 2018. “Ele é GRANDE e eu o amo muito. Não o deixarei desistir do propósito que o Senhor confiou a ele”, escreveu. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que convocou a vigília atribuída ao endurecimento da decisão judicial, publicou uma mensagem curta: “Pai, estou contigo pro que der e vier!”.

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Repercussões no Paraná

No Paraná, o tom das manifestações também foi contrastante entre apoiadores e opositores. Entre os aliados de Bolsonaro, o governador Ratinho Junior (PSD), que não participou do últimos atos bolsonaristas e tem defendido o fim da polarização, desta vez se manifestou a favor do ex-presidente. "O ex-presidente Bolsonaro, que já cumpria pena domiciliar, foi preso tendo apresentado laudos que comprovam sua saúde em estado crítico. Todos sabem que a saúde do ex-presidente não é boa desde que ele foi vítima de uma facada. Ao meu ver, a prisão demonstra insensibilidade do Poder Judiciário. Ao ex-presidente e aos seus familiares, minha solidariedade", postou.

O ex-juiz e senador Sergio Moro (União Brasil), pré-candidato ao governo estadual, criticou a decisão do STF, afirmando que o ex-presidente tem “sequelas decorrentes da facada” e que não haveria motivos para a revogação da prisão domiciliar. Moro comparou o caso a outras figuras políticas, citando o ex-presidente Fernando Collor, que cumpre pena em casa.

O vice-prefeito de Curitiba, Paulo Eduardo Martins (PL), classificou a prisão como “ato de crueldade praticado pelos donos do poder” e afirmou que a decisão tenta “humilhar, pisar e destruir”. Em outra postagem, reforçou a crítica ao mencionar a data da detenção: “Multa de 22 milhões. Prisão no dia 22. Isso é sadismo”.

Em Londrina, a vereadora Jessicão (PL) se destacou entre os apoiadores pelo inconformismo nas publicações. Ela divulgou um texto em que classificou Bolsonaro como vítima de uma “perseguição política” e afirmou que Alexandre de Moraes age como “o maior ditador da história”.

Em vídeo publicado no mesmo post, reforçou o discurso, questionando o alegado risco de fuga e pedindo pressão sobre senadores para avançar propostas de anistia e impeachment do ministro do STF. "Há mais de 100 dias esse homem está com tornozeleira, cheio de polícia dentro da casa dele. Que risco de fuga é esse? Isso não passa de uma perseguição política. Alexandre de Moraes acabou de ultrapassar todos os limites, sabendo que Bolsonaro não está bem, que a cadeia pode acabar levando Bolsonaro à morte", disparou.


Aliado de primeira hora de Bolsonaro, o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) classificou a prisão do ex-presidente como “o dia da infâmia” e afirmou que a decisão do Supremo Tribunal Federal representa, segundo ele, um novo capítulo de perseguição política. Para o parlamentar, o encaminhamento do ex-presidente ao regime fechado em um sábado “e justamente no dia 22, número do PL”, simboliza um gesto arbitrário e sem respaldo jurídico. Barros sustentou que o processo que levou à detenção estaria marcado por mudanças de entendimento dentro do próprio STF, especialmente no que diz respeito ao foro privilegiado e à forma de julgamento.

O londrinense também criticou a justificativa usada para sustentar o pedido de prisão, citando que a convocação de uma vigília religiosa foi tratada como ato capaz de representar risco à ordem. Ele rejeitou as suspeitas de violação da tornozeleira eletrônica e disse que as acusações carecem de lógica e evidências. “A motivação é política e movida por vingança”, afirmou, reforçando que seguirá ao lado de Bolsonaro e que considera a decisão uma vergonha para a história do país.

Reação dos opositores

Lideranças da esquerda paranaense celebraram a prisão. O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) publicou “GRANDE DIA!”, associando a medida às denúncias de articulação golpista. Para ele, a decisão se impôs após a convocação da vigília — interpretada como desrespeito às condições impostas pela Justiça.

O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional e ex-deputado federal Enio Verri (PT-PR) afirmou que Bolsonaro “teria violado a tornozeleira eletrônica na madrugada”, o que indicaria tentativa de fuga. Verri reforçou que “a democracia brasileira não se curva a quem tentou destruí-la”.

A deputada federal Lenir de Assis (PT), de Londrina, também compartilhou a notícia da prisão de Bolsonaro acompanhada pelo comentário: "Grande Dia!". Em seguida, ela também repostou um dos vários memes que viralizaram nas redes, ironizando a prisão do ex-presidente.

A deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT) também comemorou a decisão, publicando: “BOLSONARO PRESO! Grande dia”.

A prisão do ex-presidente, enquanto sua defesa tenta manter a possibilidade de prisão domiciliar por motivos de saúde, deve repercutir nos próximos dias, sobretudo à medida que o Supremo Tribunal Federal se aproxima da definição sobre onde Bolsonaro e outros condenados cumprirão pena pelo caso da tentativa de golpe.

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