Brasília - Imagens gravadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) mostram que Francisco Wanderley Luiz deixou o estacionamento da sede do Congresso Nacional, atravessou a principal via da Esplanada dos Ministérios e passou ao lado de um ponto de ônibus antes de cometer o atentado diante da corte na última quarta-feira (13).

As gravações ainda mostram que uma dezena de pessoas deixava o Supremo na hora em que Francisco arremessou a primeira bomba contra o prédio. O explosivo continha parafusos, para aumentar o poder de destruição. Ninguém se feriu.

Francisco é identificado pela primeira vez nos vídeos às 19h26. Nesse momento, ele deixou o estacionamento da Câmara e cruzou a via principal da Esplanada dos Ministérios. O autor do atentado é visto girando um guarda-chuva e usando roupa com símbolos de cartas de baralho, em possível alusão ao Coringa, vilão de histórias em quadrinhos.

A Câmara dos Deputados disse, na última semana, que Francisco entrou pela manhã em seu anexo 4. Ele chegou às 8h15, foi ao banheiro e logo depois saiu. Usava outra roupa: calça jeans, chinelo, camiseta e chapéu.

As novas imagens foram gravadas pelas câmeras de segurança do Supremo. Elas mostram detalhes da chegada de Francisco à praça dos Três Poderes e dos equipamentos que ele carregava para cometer o atentado.

Uma bomba que não explodiu foi flagrada pelas câmeras; Francisco também deixou no chão uma mochila e um extintor de incêndio cheio de gasolina. A segurança do Supremo acredita que o autor do atentado planejava usar o combustível para atacar a sede do tribunal, mas ele acabou se matando após encontrar a resistência da polícia judiciária.

Ex-mulher teria colocado fogo em residência de homem-bomba em SC

Belo Horizonte - A casa em Rio do Sul (SC) na qual morava Francisco Wanderley Luiz, o "França", autor do atentado na praça dos Três Poderes, amanheceu queimada na manhã de domingo (17).

A suspeita de ter provocado o incêndio é Daiane Dias, ex-companheira dele, que foi vista por testemunhas ateando gasolina também no próprio corpo, disse à Folha a delegada Elisabete Prado. Ela não caracterizou o ato como tentativa de suicídio ao dizer que a apuração está em fase preliminar.

O Corpo de Bombeiros de Santa Catarina afirmou que a mulher que estava na casa foi retirada do interior da residência por vizinhos e apresentava queimaduras de 1º e 3º graus em 100% do corpo.

Ela foi atendida, estabilizada e conduzida ao pronto-socorro do hospital regional em Rio do Sul. Procurada, a instituição informou que não está autorizada a compartilhar o estado de saúde da paciente.

A corporação disse que, ao chegar ao local, o incêndio já havia tomado parcialmente a residência de 50 metros quadrados.

A moradora da casa era Daiane, a segunda ex-companheira de França. Em depoimento à Polícia Federal na quinta (14), disse que o plano de França era matar o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Nos últimos meses, o autor do atentado em Brasília tinha decidido trabalhar com um dos seus filhos em Barra Velha (SC), em um negócio envolvendo consertos de elevadores, e não foi visto mais na vizinhança de Rio do Sul.

Daiane e França tiveram uma separação tumultuada, disse à Folha de S.Paulo a primeira mulher dele, a cuidadora Margarete Versino, 57, que se casou com autor do atentado no final da década de 1980.

Versino, que viveu junto de França por 17 anos, com quem teve dois filhos, também disse que a família contesta o relato de que o homem tinha como objetivo matar Moraes.

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