Brasília (DF) - O senador Sergio Moro (União-PR) disse a aliados próximos estar disposto a se reunir com o advogado Cristiano Zanin, caso seja procurado.

De acordo com interlocutores, o convite ainda não aconteceu. Mas, caso ocorra, Moro pretende ter uma postura "republicana e democrata" para receber e ouvir o indicado ao STF. A gentileza, no entanto, não significará endosso à postulação do advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

Zanin protagonizou embates com o ex-juiz durante a Lava Jato e foi o autor da tese que culminou na decretação de suspeição de Moro nos julgamentos referentes ao petista.

A ARTICULAÇÃO DE ZANIN

Indicado pelo presidente Lula (PT) para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), o advogado Cristiano Zanin tem conversado com senadores de oposição, incluindo evangélicos e bolsonaristas, em busca de apoio para a votação da sua confirmação no Senado.

Zanin almoçou na terça-feira (6) com o presidente da bancada evangélica do Senado, Carlos Viana (Podemos-MG), e o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), ex-presidente da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso. No encontro, tratou de temas considerados caros ao segmento religioso. Um dia antes, conversou com o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), e o senador Jorge Seif (PL-SC), ex-secretário da Pesca do governo Jair Bolsonaro (PL).

A expectativa é que Zanin seja sabatinado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado no dia 28 de junho. Após a aprovação na comissão, o nome do advogado pode ser votado pelo plenário da Casa no mesmo dia ou pouco depois. O governo Lula queria que Zanin fosse aprovado até 21 de junho, mas concordou que o Senado deve estar esvaziado na data por causa das festas juninas, que mobilizam os parlamentares do Nordeste.

Na próxima semana, o governo quer submeter Zanin a uma sabatina informal com senadores da base aliada. O mesmo deverá ser feito com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, indicado para uma diretoria do BC (Banco Central).

No caso do advogado de Lula, a ideia é não só prepará-lo para perguntas mais duras que podem ser feitas na CCJ, mas também diminuir dúvidas de parlamentares aliados para encurtar a duração da sabatina - em 2015, a do ministro Edson Fachin durou 12 horas.

VOTOS

Senadores da base aliada de Lula calculam que Zanin deverá ter cerca de 55 votos, 14 a mais que o necessário. Na votação para presidente do Senado - que tem sido usada de parâmetro sobre o tamanho da base -, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) recebeu 49 votos.

Tanto o presidente do Senado como o presidente da CCJ, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), têm afirmado ao Palácio do Planalto que Zanin deve ser aprovado com facilidade. O PL de Jair Bolsonaro, por exemplo, tende a liberar os senadores para que votem da forma como quiserem.

Uma das expectativas, no entanto, é pelo reencontro na sabatina entre Zanin e Sergio Moro (União Brasil-PR), um dos 27 titulares da CCJ. Na defesa de Lula durante a Operação Lava Jato, Zanin já tomou como "elogio" uma crítica feita em tom de ironia pelo então juiz da Lava Jato.

Nos últimos dias, o advogado de Lula almoçou e jantou com parlamentares em busca de votos.

Alcolumbre ainda não definiu quem será o relator da indicação na CCJ, mas está entre cinco nomes: Renan, Weverton, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), Jader Barbalho (MDB-PA) e Efraim Filho (União Brasil-PB).

Os senadores estão empenhados sobretudo em ajudar o indicado a conseguir votos na oposição. A expectativa é que ele procure todos os líderes partidários para reuniões individuais.

(Juliana Braga/ Thaísa Oliveira e Julia Chaib/ Folhapress)