Missão percorre o Sul em busca de espaço na disputa presidencial
Falando para uma plateia de ‘convertidos’, presidenciável Renan Santos inicia caravana na Concha Acústica de Londrina
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quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Falando para uma plateia de ‘convertidos’, presidenciável Renan Santos inicia caravana na Concha Acústica de Londrina

Foi com uma manhã nublada e cheia de neblina que Londrina recebeu a caravana do candidato do partido Missão à Presidência da República, Renan Santos, na Concha Acústica. Em um discurso para cerca de 250 pessoas, ele atacou adversários políticos, criticou a atual situação do STF (Supremo Tribunal Federal), que passa por uma crise que liga ministros ao banqueiro preso Daniel Vorcaro, convocou apoiadores a tentar virar votos dos indecisos ao invés de tentarem convencer petistas e bolsonaristas.
Convocado na cidade a menos de 20 horas do comício, a presença dele inicia uma incursão de sua comitiva de campanha pela região Sul. Ainda na segunda, a previsão era seguir por Arapongas, Maringá, Cascavel e terminar em Francisco Beltrão. Em seguida, entrariam em Santa Catarina, para um primeiro evento em Chapecó. O retorno está previsto para domingo (20), a partir de Curitiba.
A chegada da comitiva estava prevista para 8h30, horário em que vários apoiadores aguardavam o candidato sob neblina e uma leve garoa. Empunhando bandeiras e adesivos, o público, composto majoritariamente por homens brancos e jovens, aparentando entre 20 e 35 anos, aguardavam em um espaço um tanto vazio.
No meio da mobilização dos partidários, um jovem que passava pelo local questiona que movimentação era aquela. Ao ser informado que era aguardada a chegada de um presidenciável, ele conta. “Não sabia que era isso, eu não gosto de política. Ele é de direita?” Ao obter resposta positiva, ele rebate. “Ah, bom. Direita parecida com o Flávio Bolsonaro?”
Um partidário chega e oferece um envelope com adesivos de candidatos do Missão. O rapaz diz: “Que legal! Vou acompanhar ele (sic). Eu não gosto é da esquerda.” O partidário, então, orienta que tem de conhecer as propostas de todos, porque “política não é torcida de futebol”. O rapaz concorda, mas complementa. “Eu não gosto é do Lula. Mas, este ano eu vou votar, fiz dezoito anos e já posso.”
Há três dias, a campanha de Renan conseguiu os dois ônibus para transportar sua comitiva com foco nas pequenas cidades interioranas. Após a chegada do primeiro ônibus, começam os comícios, com uma linguagem bastante informal e permeada de palavrões e ofensas a candidatos de outros partidos, colocando-os como velha política corrupta. “O [candidato de Londrina à Câmara Federal pelo PT] é bandido? É, mas f*d*-se aquele filho da p*t*. Desculpem-me os palavrões”, afirma o candidato ao governo do Paraná Luiz França ao público, que ovaciona a fala. Em outro momento, diz que o Missão “quer fazer do Brasil um país f*d*”, utilizando o palavrão em um contexto positivo.
CHEGADA ATRASADO
Cerca de 45 minutos após o horário marcado para o início, um ônibus amarelo se aproxima da Concha Acústica pela Rua Senador Souza Naves. Neste momento, os partidários espalhados pelo auditório aberto do espaço se aglomeram ao lado do palco para receber o candidato de 42 anos. Apesar de exaltar a figura do candidato, o grito de guerra do grupo era o nome do partido. O horário de chegada prejudicou uma caminhada pelo Calçadão, para interagir com outros eleitores.
Empresário e ativista político, Renan Santos é um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre), criado à época da cassação da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), com a proposta de combate à corrupção de forma apartidária. Apesar da promessa, figurões do movimento, como Artur do Val, conhecido como “Mamãe Falei”, e Kim Kataguiri ingressaram na política, respectivamente, como deputados estadual e federal, sempre afiliados a partidos de direita.
Em seu discurso em Londrina, Renan classificou o cenário político brasileiro como uma disputa entre grupos que, segundo ele, estariam associados ao crime organizado, e apresentou o Missão como uma alternativa ética e de renovação política. Ele pediu aos apoiadores que concentrem esforços na conquista de votos de eleitores ainda indecisos, evitando tentar convencer pessoas já fortemente identificadas com o petismo ou o bolsonarismo. A orientação foi para que cada militante procure converter entre dez e 20 votos até a eleição.
O candidato também atacou Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, criticando a ausência dos dois em debates e afirmando que ambos evitariam o confronto de ideias e propostas.
Entre propostas e planos para uma eventual Presidência, ele sugeriu a nomeação de seis ministros para o STF (Supremo Tribunal Federal), acima das quatro vagas que, segundo ele, deverão surgir durante o próximo mandato presidencial. Também prometeu enfrentar o Congresso Nacional e promover mudanças na composição e no funcionamento das instituições.


Luis Fernando Wiltemburg
Repórter de Cidades.



