Michelle deixa o PL Mulher em meio à crise com Flávio Bolsonaro
Esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro entregou cargo ao presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e não vai a encontro entre Flávio e as filiadas do partido nesta quarta (1º)
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quarta-feira, 01 de julho de 2026
Esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro entregou cargo ao presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e não vai a encontro entre Flávio e as filiadas do partido nesta quarta (1º)

Brasília — Em meio a uma das maiores crises internas do Partido Liberal (PL) nos últimos anos, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou formalmente, na terça-feira (30), sua saída da presidência nacional do PL Mulher. A decisão foi sacramentada após uma tensa reunião de mais de duas horas com o presidente nacional da legenda, Valdemar da Costa Neto, que precisou antecipar seu retorno dos Estados Unidos para tentar conter os danos da implosão na ala familiar e partidária.
Oficialmente, Michelle declarou em nota que o afastamento ocorre para se dedicar "integralmente" aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro — atualmente em prisão domiciliar — e de sua filha. Nos bastidores, contudo, a saída é vista como o ápice de uma profunda crise com seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro, atual pré-candidato do PL à Presidência da República.
ESTOPIM DA CRISE
O estopim do desentendimento público ocorreu na última semana, quando Michelle publicou um vídeo acusando Flávio de tê-la humilhado e maltratado em uma ligação telefônica. O atrito começou após críticas da ex-primeira-dama às costuras políticas de Flávio no Ceará, que endossavam alianças com antigos opositores da família, como Ciro Gomes.
"Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política", desabafou Michelle na ocasião, classificando a atitude como uma "punhalada".
Embora Flávio Bolsonaro tenha vindo a público pedir desculpas e classificar o episódio como "página virada", o clima político tornou-se insustentável. Aliadas de Michelle revelaram que ela chegou a cogitar a desfiliação do partido por sentir falta de solidariedade da cúpula diante dos ataques nas redes sociais, sendo demovida da ideia por correligionárias como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas).
IMPACTOS NA PRÉ-CAMPANHA
A saída de Michelle do comando da ala feminina impõe um duro golpe estratégico aos planos eleitorais do PL para o pleito presidencial. Como principal cabo eleitoral do partido entre o eleitorado feminino e evangélico, seu recolhimento pode desidratar o engajamento desse setor na pré-campanha de Flávio Bolsonaro.
Valdemar da Costa Neto tentou adotar um tom pacificador em nota oficial, minimizando o racha interno. O dirigente afirmou que "o PL cresceu demais, e as divergências crescem também". Destacou que, apesar dos conflitos familiares, a união contra o governo Lula (PT) prevalece. Aliados garantem que, apesar de deixar o PL Mulher, a pré-candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal segue mantida.
A saída expõe as fraturas de poder em um partido que tenta equilibrar as ambições presidenciais de Flávio com o capital político de Michelle, que liderava o movimento desde 2023.
ENCONTRO ESVAZIADO
A reunião organizada pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (1º), em Brasília, terá o desfalque das duas principais lideranças femininas da direita. Após entregar a presidência do PL Mulher a Costa Neto na esteira da crise familiar, a ex-primeira-dama avisou que não comparecerá ao evento. A reunião de Flávio tinha justamente o objetivo de colher sugestões para o plano de governo dele e tentar mitigar o desgaste com o eleitorado feminino, mas Michelle optou pelo distanciamento.
A senadora Damares Alves, que é amiga íntima e principal aliada política de Michelle, também recusou o convite e confirmou que não vai ao encontro. Inicialmente, Flávio havia pedido à própria Damares para ajudar na interlocução e na organização do evento com mulheres conservadoras, mas ela optou por faltar em solidariedade à ex-primeira-dama e após aliados do senador também dispararem críticas contra a ala feminina.
A ausência de ambas esvazia a principal estratégia de Flávio para demonstrar, nesta semana, que o racha com a ala feminina do partido estava superado.
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Da Redação
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