Mendonça autoriza PF a investigar repasses para filme sobre Bolsonaro
Vorcaro teria repassado mais de R$ 60 milhões à produtora da trama que aborda a trajetória política do ex-presidente da República
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de julho de 2026
Vorcaro teria repassado mais de R$ 60 milhões à produtora da trama que aborda a trajetória política do ex-presidente da República
Alex Rodrigues e André Richter - Agência Brasil 

Brasília - O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (23) a Polícia Federal (PF) a instaurar um inquérito para apurar repasses de recursos, pelo empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão atende a um pedido da própria PF e conta com o aval do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que se manifestou favoravelmente à abertura da investigação.
Em maio deste ano, o site The Intercept revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações da cinebiografia sobre o ex-presidente. De acordo com a publicação, o ex-banqueiro chegou a repassar cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025.
Após o site divulgar áudios da conversa de Flávio e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro, garantindo que os recursos repassados ao filme eram integralmente privados.
O caso chegou ao Supremo após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitar a abertura de investigação, que também teve aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
As apurações miram a negociação de repasses feita pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Entre os principais eixos da investigação estão:
Destinação dos recursos no exterior: a Polícia Federal quer confirmar se as quantias enviadas a fundos norte-americanos foram integralmente aplicadas no filme ou se custearam outras despesas.
Atuação de interlocutores: contratos e mensagens obtidos pelos investigadores indicam que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro exerceu papel de liderança nas orientações sobre o fluxo de caixa do projeto no exterior.
Validade e legalidade dos repasses: mapear se houve desvio ou uso dos valores para fins diversos da produção audiovisual.
OUTRO LADO
Em notas repassadas à imprensa por sua assessoria, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que todas as transações relativas ao longa foram realizadas dentro da legalidade. A defesa do parlamentar sustenta que: "Os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos".
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinou que André Mendonça assumisse a relatoria por prevenção. A escolha ocorreu porque o magistrado já conduz na Corte os procedimentos referentes aos desdobramentos e fraudes associados ao Banco Master.
Paralelamente, a Coluna do Estadão informou que interlocutores de André Mendonça relataram que o ministro fará uma condução estritamente técnica do inquérito. O magistrado teria deixado claro a pessoas próximas que seu compromisso ético e seu papel institucional se sobrepõem a qualquer relação do passado.
Conforme informou a imprensa, o inquérito corre sob sigilo de nível 3 para garantir o andamento das diligências e preservar provas sensíveis.
Até a publicação desta notícia, a reportagem não havia conseguido contato com a produtora audiovisual Up Entertainment, responsável pela obra.


