Apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram à praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, neste sábado (24), junto ao candidato do PT, enquanto motociclistas compareceram em um ato em apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), em Belo Horizonte (MG), nas últimas horas antes de um segundo turno incerto.

Os eleitores de direita buscam consagrar a vitória que o senador obteve no primeiro turno, enquanto a esquerda sonha com uma virada.

Duas pesquisas divulgadas pelos institutos Datafolha e Quaest neste sábado à noite mostraram que Bolsonaro tem 51% das intenções de voto, contra 49% para Lula.

Na famosa praia do Rio de Janeiro, a multidão caminhava ao lado de Lula, que avançava em uma caminhonete, saltando ao ritmo da música.

Apoiadores do presidente Lula ocupam a praia de Copacabana na manhã deste sábado (24)
Apoiadores do presidente Lula ocupam a praia de Copacabana na manhã deste sábado (24) | Foto: Mauro Pimentel/AFP

"O povo tem que escolher: ou alguém que beija a bandeira nacional ou alguém que beija a bandeira americana. É uma questão de soberania e nós não permitiremos que o Brasil seja quintal de ninguém", disse o mandatário, que completará 81 anos na semana que vem.

Nícolas da Silva, que trabalha em um hotel, reconheceu que o esforço nas ruas e nas redes sociais para buscar a virada sobre o candidato de direita está "sendo muito pesado".

"Eu tô cansado, mas não tem como descansar", contou à AFP. "A gente tá lutando, virando voto, lutando contra o fascismo, a favor da democracia", acrescentou o jovem de 25 anos.

Lula participa de manifestação no Rio de Janeiro neste sábado (24)
Lula participa de manifestação no Rio de Janeiro neste sábado (24) | Foto: Mauro Pimentel/AFP

Depois de Copacabana, Lula tem previsto continuar sua marcha multitudinária na Avenida Paulista, em São Paulo.

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Em Belo Horizonte, famílias e motoristas lotavam a emblemática Praça da Liberdade ao lado de Flávio Bolsonaro, de 45 anos.

"O partido que está lá hoje quer deixar as pessoas dependentes do Estado. A gente preza pela liberdade", disse à AFP Ebert Dorigo.

Flavio Bolsonaro participa de ato de campanha em Belo Horizonte, neste sábado (24)
Flavio Bolsonaro participa de ato de campanha em Belo Horizonte, neste sábado (24) | Foto: DOUGLAS MAGNO / AFP

"Melhorar é através do trabalho", analisou o empresário, ecoando uma grande reivindicação entre bolsonaristas contra os programas sociais de Lula.

Flávio Bolsonaro pretende visitar mais tarde a casa na Barra da Tijuca, no Rio, onde seu pai se recuperou após ser esfaqueado durante a campanha de 2018, que o levou à presidência.

Belo Horizonte foi a cidade escolhida por Flavio Bolsonaro para manifestação no último dia de campanha
Belo Horizonte foi a cidade escolhida por Flavio Bolsonaro para manifestação no último dia de campanha | Foto: DOUGLAS MAGNO / AFP

"Nove dedos"

No último debate da campanha, na sexta-feira, ambos os candidatos adotaram um tom mais moderado, falando mais sobre propostas, depois de um primeiro enfrentamento no qual os insultos se sobrepuseram.

Lula atacou a falta de experiência de seu adversário, afirmando que ele "não conhece o Brasil" nem sabe "o que é a fome".

Por sua vez, Flávio Bolsonaro acusou o ex-sindicalista de apresentar "ideias que não funcionam mais", e o questionou: "Por que as coisas estão tão caras?".

Um dos momentos mais tensos ocorreu quando o senador acusou Lula de conceder benefícios sociais "com uma mão e tirar com os nove dedos", em referência à amputação sofrida pelo presidente quando trabalhava como torneiro mecânico.

"Não vou permitir que um miliciano me chame de 'nove dedos'", rebateu Lula, em alusão às acusações de que seu adversário manteria vínculos com milícias do Rio de Janeiro.

Em seguida, Flávio pediu desculpas pela declaração.

Direita ou esquerda?

O candidato do PL promete uma mão dura contra o crime, livre mercado e maior proximidade com os Estados Unidos, seguindo o caminho traçado por seu pai, Jair Bolsonaro (2019-2022), condenado a 27 anos de prisão por tentar um golpe de Estado após perder para Lula em 2022.

Em seus discursos, ele captura o mal-estar dos brasileiros com o aumento do custo de vida e a insegurança.

Lula, que busca seu quarto mandato, aposta em uma rejeição ao retorno da família Bolsonaro ao poder.

Uma pesquisa do instituto Datafolha, divulgada na quinta-feira, apontou um empate, com 50% de intenção de voto para cada um dos candidatos.

"Nesse momento não é simplesmente uma questão de esquerda versus direita, porque o outro lado se mostrou perverso. Eles resolvem tudo no tiro, no tapa, e não é isso que a gente quer", afirmou a agente de saúde Melissa de Leonardo, de 52 anos, em Copacabana.

Em Belo Horizonte, João Paulo, de 37 anos, disse que aceitará uma eventual vitória de Lula.

"Nas últimas eleições a gente perdeu, a gente aceitou. Foi muito triste, mas não desistimos do nosso Brasil", declarou.

Jair Bolsonaro, no entanto, nunca reconheceu publicamente a derrota para Lula.

América Latina

A América Latina acompanha atentamente a eleição no Brasil. Vários países da região deram uma guinada à direita desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em 2025.

Lula acusa os Estados Unidos e a Meta de tentarem interferir no pleito, em meio a uma disputa judicial por supostas ações ilegais das campanhas nas redes sociais. A empresa americana nega.

(atualizado às 20 horas) 

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