O PL (Projeto de Lei) 145/2026, que estabelece a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2027, será discutido em audiência pública na CML (Câmara Municipal de Londrina) na próxima quarta-feira (3), oportunidade em que a matéria será debatida com a comunidade. O projeto foi aprovado em primeiro turno no dia 19 de maio, em uma votação protocolar, e deve receber emendas antes de retornar ao plenário.

Para o próximo ano, a gestão Tiago Amaral (PSD) estima uma arrecadação de R$ 3,8 bilhões, praticamente o mesmo valor previsto para 2026, com crescimento da ordem de 0,48%. O dado evidencia o cenário de dificuldades financeiras do município de Londrina, que se arrasta desde o ano passado.

Um parecer técnico da Controladoria-Geral da Câmara chamou atenção para a estimativa de queda de 82,89% nos investimentos da Prefeitura, de R$ 70,5 milhões, em 2026, para pouco mais de R$ 12 milhões no próximo ano. Segundo o documento, o ponto merece análise devido à necessidade de compatibilidade com as obras em andamento elencadas na LDO, cujo saldo a executar supera R$ 50 milhões.

O relatório também demonstrou preocupação com a redução das despesas de capital em 2027. Os valores destinados a esse grupo cairão de R$ 238,4 milhões na LDO de 2026 para R$ 53,9 milhões em 2027, uma retração de 77,4%.

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Justificativa

O secretário municipal de Planejamento e Orçamento, Marcos Rambalducci, em entrevista à FOLHA após a aprovação em primeiro turno, justificou a previsão de redução nos investimentos. “Quase R$ 100 milhões que estão na rubrica de despesa de capital, que entra como investimento, deixaram de aparecer porque, a partir do final deste ano, nós deixamos de pagar a Caapsml. Era um financiamento que nós tínhamos”, afirmou o secretário. Segundo ele, também não foram incluídas na rubrica emendas parlamentares, que deverão aparecer na LOA (Lei Orçamentária Anual). “Provavelmente vamos recuperar esse percentual.”

Segundo o projeto, a administração já trabalha com uma previsão de frustração de arrecadação superior a R$ 100 milhões, o que pode levar ao contingenciamento de despesas no próximo ano. O valor considera os problemas enfrentados na arrecadação nos últimos três exercícios, de 2023 a 2025.

Os cofres municipais também são pressionados pelo peso do subsídio do transporte coletivo. Em 2025, a Prefeitura de Londrina repassou cerca de R$ 180 milhões às concessionárias. Para 2026, a estimativa é de R$ 118 milhões; em 2027, o valor deve ficar na casa dos R$ 103 milhões.

As metas e prioridades da LDO de 2027 estão organizadas em seis eixos: saúde e bem-estar; educação e promoção cultural; desenvolvimento econômico, inovação e desburocratização; segurança pública e desenvolvimento humano; gestão inteligente, transparente e inovadora; e meio ambiente e sustentabilidade.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias deve ser aprovada em segundo turno pelo Legislativo e enviada para sanção do prefeito Tiago Amaral até o dia 15 de julho, conforme estabelece a LOM (Lei Orgânica do Município).

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