LDO projeta orçamento apertado e desafios para 2027 em Londrina
Projeto protocolado na Câmara praticamente repete a previsão orçamentária de 2026 e prevê frustração de arrecadação de R$ 100 milhões
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de abril de 2026
Projeto protocolado na Câmara praticamente repete a previsão orçamentária de 2026 e prevê frustração de arrecadação de R$ 100 milhões

O prefeito Tiago Amaral (PSD) enviou à CML (Câmara Municipal de Londrina) o projeto de lei que estabelece a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2027, com previsão de um orçamento da ordem de R$ 3,8 bilhões, praticamente o mesmo estimado para o exercício de 2026. A peça orçamentária é o primeiro passo para a construção do orçamento do ano que vem e precisa ser aprovada pelos vereadores antes do recesso legislativo, em julho.
A discussão orçamentária ainda ocorrerá em um contexto de dificuldades financeiras por parte da Prefeitura de Londrina, realidade que se arrasta desde o ano passado. O crescimento praticamente nulo para o próximo ano é um sinal disso. A estimativa é de que o município tenha um orçamento de R$ 3.843.762.000,00 em 2027, dos quais R$ 2.379.202.000,00 devem ser destinados ao pagamento de pessoal e encargos sociais.
Segundo o projeto de lei, a administração trabalha antecipadamente com uma previsão de frustração de arrecadação de mais de R$ 100 milhões, o que pode levar ao contingenciamento de despesas no próximo ano. O número leva em conta os problemas enfrentados com a arrecadação nos últimos três exercícios, de 2023 a 2025.
De acordo com o secretário municipal de Planejamento e Orçamento, Marcos Rambalducci, o cenário ainda é preocupante para os cofres do município, que ainda sentem reflexos de um déficit superior a R$ 300 milhões encontrado nas contas públicas no ano passado. A principal vilã foi uma despesa de mais de R$ 100 milhões com o subsídio do transporte coletivo que não estava prevista no orçamento de 2025.
“Nós fomos arranjando da melhor forma possível para chegar até o final de 2025 dentro de uma expectativa mínima. Não conseguimos zerar ela totalmente, trouxemos ainda alguma dívida de 2025 para 2026. Cabe agora, de 2026 para 2027, nós fazermos essa correção de trajeto de maneira a alcançar o equilíbrio fiscal”, afirma o titular da pasta.
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Rambalducci lembra que números mais detalhados para o próximo ano serão conhecidos na LOA (Lei Orçamentária Anual), que será discutida pela Câmara no segundo semestre, e que o parâmetro para a construção da LDO foram os valores previstos para 2026. O secretário ressalta que o papel da administração pública é encaixar as demandas dentro do equilíbrio das contas públicas.
“Nós temos este orçamento, que está ligado fundamentalmente à arrecadação do município, sejam verbas vinculadas, sejam recursos livres. Mas é esse montante que a gente tem. As receitas não podem ultrapassar as despesas, e as despesas não podem ultrapassar a receita”, explica.
Transporte coletivo
Considerado a principal “pedra no sapato” da Prefeitura, o subsídio do transporte coletivo deverá cair, segundo a LDO, de cerca de R$ 118 milhões, em 2026, para R$ 103 milhões, em 2027. O problema é que, apesar de a tarifa paga pelo passageiro ser de R$ 6,25, a tarifa técnica é de R$ 10,85 para a Londrisul e de R$ 11,86 para a TCGL. A diferença acaba sendo custeada pelo poder público.
“O transporte coletivo continua sendo uma grande pedra no sapato, porque é um valor muito significativo de subsídio que o município e o munícipe fazem. É uma conta que precisa de muita atenção, que precisamos sempre trazer uma maneira de equacionar esse custo para que ele atenda a sociedade da melhor forma possível, mas sem onerar da maneira que onera o orçamento municipal”, destacou Rambalducci.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.




