Imagem ilustrativa da imagem Lava Jato critica decisão que soltou Beto Richa e indica recorrer ao STF
| Foto: Theo Marques/Arquivo Folha



Os procuradores da Lava Jato no MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) divulgaram uma nota em que manifestam "surpresa e firme discordância" em relação à decisão que levou à soltura de Beto Richa nesta sexta-feira (1º) - considerada "equivocada" e "proferida de modo precipitado e em circunstâncias inusuais". A força-tarefa indicou que vai recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal).

O ex-governador foi preso no dia 25 de janeiro, na 58ª fase da operação, por suspeita de suspeita de tentativa de interferência na investigação. O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro João Otávio de Noronha, deferiu nesta quinta-feira (31) uma liminar em recurso em habeas corpus e determinou a libertação imediata de Richa, acompanhada de uma ordem de salvo-conduto para que ele e o irmão José Richa Filho não sejam mais presos cautelarmente na Operação Integração II. Ele entendeu que não há justificativa para a prisão preventiva, já que a decisão da primeira instância menciona atos que teriam acontecido há mais de sete anos, e Richa não é mais governador. O tucano deixou o Complexo Médico Penal de Pinhais por volta das 10h10 desta sexta sem atender a imprensa.

O texto divulgado pela Lava Jato aponta que Noronha já havia criticado publicamente a decisão de prisão emitida contra o governador no dia 17 de setembro de 2018, por conta da Operação Rádio Patrulha, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), "o que levanta sérias dúvidas sobre sua parcialidade para emitir a decisão no referido habeas corpus". Os procuradores apontam que houve supressão de instância, sustentam que o objeto do habeas corpus não era a decisão da prisão e dizem que o MPF não teve oportunidade para se manifestar.

A força-tarefa questiona a questão da antiguidade dos atos imputados a Richa citada na decisão de Noronha. Segundo os procuradores, "os fatos criminosos não se restringiram aos anos de 2011 e 2012, mas se estenderam até pelo menos janeiro de 2018, tratando-se de situação semelhante àquela que embasou diversas prisões na Lava Jato, mantidas nas quatro instâncias".

A nota diz que os procuradores estão "avaliando as providências a serem tomadas em relação à precipitada e equivocada decisão", lembrando que o presidente do STF, Dias Toffoli, decidiu recentemente que questões relacionadas à operação Integração na Corte é de competência do ministro Luís Roberto Barroso.

A FOLHA tenta ouvir a defesa de Beto Richa.

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