A vereadora e candidata a deputada estadual Jessicão (PL) foi alvo de xingamentos após uma discussão na manhã de domingo (23), durante a tradicional feira no Cincão, na Zona Norte de Londrina. O motivo teria sido uma fala proferida por ela na semana passada na Câmara dos Vereadores, durante a votação do projeto que destina 18 espaços públicos para a construção de moradias populares na cidade.

Vídeos obtidos pela reportagem mostram a vereadora sendo abordada e questionada pelo militante do PT André Guimarães.

Em uma das gravações, Guimarães se aproxima de Jessicão e questiona o motivo de ela não querer que pessoas pobres tenham uma casa. A vereadora ironiza a abordagem. Na sequência, o ex-secretário da Segurança Pública de Londrina e candidato a deputado estadual Felipe Juliani (PL) começa a gritar "fora Lula", o que provoca uma reação de militantes presentes na feira, que passam a responder em apoio ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Durante a discussão, Guimarães chama a vereadora de "vagabunda". Jessicão responde chamando o militante de "ladrão". Em outro momento, o homem e a esposa voltam a abordar a vereadora. Juliani aparece novamente e defende Jessicão.

Nos vídeos, é possível ver que a briga se intensifica e Jessicão chama Guimarães de "agressor de mulher". Ele e a esposa passam a chamá-la de "traidora da pátria" e "covarde". Em determinado momento, Guimarães parece ser tocado por integrantes da equipe de Felipe Juliani e por um feirante. Ele reage de maneira exasperada e pede para que não encostem nele.

A situação aconteceu por volta das 10h30 da manhã. Segundo Jessicão, as duas pessoas que aparecem nos vídeos faziam parte de uma caminhada dos candidatos a deputado federal e estadual André Vargas (PT) e Paula Vicente (PT), respectivamente. De acordo com a vereadora, o grupo tinha cerca de 20 pessoas.

Ela afirmou que também fazia campanha na feira quando a caminhada passou pelo local e que dois apoiadores do ex-deputado petista retornaram para abordá-la. De acordo com ela, André Vargas e Paula Vicente continuaram a caminhada e não participaram das agressões verbais.

"Eu estava ganhando um presente no momento quando vi a caminhada do PT passando. Aí já começou a ofensa por parte de uma pessoa que nem aparece nas imagens. Nisso, o André [Guimarães] voltou aos berros dizendo que eu não gostava de pobre, e eu repeti que não havia dito aquilo, mas sim que invasor de terra não pode ter casa", afirmou a vereadora em entrevista ao Portal Bonde nesta segunda-feira (24).

Segundo Jessicão, foi nesse momento que Guimarães passou a ofendê-la. "Depois disso, ele começou a me chamar de vagabunda e eu o chamei de ladrão", disse.

A vereadora afirmou ter se sentido acuada durante a discussão e que teve medo de ser agredida fisicamente. "Naquele momento, me senti totalmente acuada. Não é normal isso. Fiquei com medo de apanhar, porque ele veio para cima de mim. Se não fosse o Felipe Juliani, tenho a sensação que eu teria apanhado ali", declarou.

Jessicão também afirmou não considerar que a situação tenha sido motivado por homofobia. Para ela, a discussão ocorreu em razão da polarização política.

Fala polêmica na Câmara

A discussão ocorreu poucos dias depois de Jessicão protagonizar um momento de tensão durante uma sessão da CML (Câmara Municipal de Londrina). Na ocasião, os vereadores votavam um projeto do prefeito Tiago Amaral (PSD) que prevê a destinação de 18 espaços públicos para a construção de moradias populares.

Durante o debate do projeto, Jessicão discursou: "Por que os senhores não trabalharam para comprar a própria casa? Por que ninguém trabalhou para comprar a própria casa? Agora querem pegar a praça do povo?", disse.

A fala repercutiu nas redes sociais e acabou sendo utilizada como argumento na abordagem feita contra a vereadora na feira. Jessicão explicou à reportagem que já havia encerrado suas manifestações na Câmara quando populares que acompanhavam a votação ficaram nervosos. Segundo ela, o grupo que defendia a construção das moradias estava agressivo com as pessoas que defendiam a manutenção das praças.

"Quando vi isso, peguei a palavra e - repito - não me arrependo disso, afirmei que quem quer casa, precisa trabalhar para comprar ou pagar aluguel, como eu faço. Não consegui comprar até hoje. Quando o presidente (Emanoel) cortou o meu microfone, de uma forma totalmente desproporcional, continuei dizendo que invasor de terra não merece ganhar casa."

A vereadora é candidata ao cargo de deputada estadual e, apesar da campanha eleitoral, segue exercendo o mandato na Câmara de Londrina.

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