Gaeco denuncia três pessoas por aliciamento de jogadores do LEC
Investigação conduzida pela Operação Derby, deflagrada em setembro de 2025, aponta que o grupo também tentou aliciar um atleta do Mirassol
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quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026
Investigação conduzida pela Operação Derby, deflagrada em setembro de 2025, aponta que o grupo também tentou aliciar um atleta do Mirassol

O MPPR (Ministério Público do Paraná), por meio do Núcleo de Londrina do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), denunciou três pessoas investigadas na Operação Derby, deflagrada em setembro de 2025, que apura a tentativa de aliciamento de atletas do LEC (Londrina Esporte Clube) para manipulação de resultados.
O caso veio à tona após o Gaeco receber informações da PF (Polícia Federal) de que atletas do Londrina haviam sido abordados antes da partida contra o Maringá, no dia 26 de abril de 2025, válida pela Série C do Campeonato Brasileiro. Em setembro, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Salvador (BA) e Itapema (SC).
Segundo prints dos celulares dos jogadores do Londrina, presentes nos autos, um dos atletas recebeu uma mensagem de um empresário baiano via Instagram, pouco antes da preleção do jogo. O suspeito pediu o telefone do jogador para que um sócio, empresário catarinense, desse sequência à conversa.
Inicialmente, o atleta recebeu uma proposta de agenciamento de carreira, mas, diante da recusa, o empresário catarinense enviou um áudio de visualização única oferecendo R$ 15 mil para que o jogador recebesse um cartão amarelo nos primeiros 27 minutos da partida. O valor seria transferido antes do início do jogo. O jogador rejeitou a oferta e foi bloqueado no WhatsApp.
“Você é maluco, rapaz. Me respeita, que eu sou um homem sério e de respeito. Jamais eu faria isso. Eu tenho caráter. Não é dinheiro que me compra, não”, respondeu o atleta do LEC, conforme consta em um print obtido pelo MPPR.
Outro jogador também foi procurado pelo empresário baiano na mesma data, mas não respondeu após ser alertado pelo colega. Um terceiro atleta afirmou ter recebido mensagem semelhante, relacionada a patrocínio, mas só visualizou o conteúdo após o jogo, quando a abordagem já havia sido excluída pelo remetente.
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O promotor do Gaeco, Leandro Antunes, explica que a investigação chegou a uma terceira pessoa suspeita de envolvimento no esquema e apontou que um atleta do Mirassol foi abordado de forma muito semelhante no ano passado. “Esse jogador foi ouvido e confirmou os fatos”, disse o promotor, destacando que os atletas figuram como testemunhas no processo e que nenhum aceitou a proposta.
“Pelo que nós apuramos, uma dessas pessoas se identificava como filho de um boxeador famoso no Brasil e usava esse argumento para atrair os jogadores e iniciar conversas em aplicativos de redes sociais. Logo após essa primeira tratativa, ele indicava os outros integrantes dessa associação criminosa para que fizessem a proposta ilegal”, detalhou Antunes.
Segundo o promotor, os atletas foram ouvidos e confirmaram as abordagens, além de terem apresentado seus celulares como prova. A análise dos aparelhos apreendidos dos empresários durante a operação também trouxe “elementos importantes” para a investigação.
O trio foi denunciado por associação criminosa e por crimes contra a incerteza do resultado esportivo, previstos na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.587/2023). O MPPR também requereu judicialmente o pagamento de dano moral coletivo no valor de R$ 150 mil.

“Essas pessoas ficaram em silêncio [em depoimentos], não quiseram esclarecer os fatos e uma delas sequer foi encontrada. Diante desse quadro, coletamos os demais elementos de prova e oferecemos a denúncia”, afirmou o promotor.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.





