Curitiba - Os dois principais candidatos à Presidência da República adotaram tons distintos na última propaganda do horário eleitoral gratuito, nesta quinta-feira (1º). Enquanto Flávio Bolsonaro (PL) fez um discurso com tom emocional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apostou em feitos do governo. Se houver segundo turno, a propaganda no rádio e na TV recomeça no dia 9 e vai até 23 de outubro. Se precisar de nova votação, ela será realizada no dia 25 de outubro. Na quarta-feira (30), os candidatos a governador e ao Senado se despediram do horário eleitoral.

Flávio Bolsonaro iniciou seu programa agradecendo os eleitores. “Quero manifestar a minha gratidão, senti de perto das dores que vocês estão sentindo, testemunhei o medo que está apavorando vocês de Norte a Sul”, afirmou o candidato do PL. “Conversei com as famílias, via as filas nos mercados, vi a aflição que todo mundo tem por não poder encher o carrinho.”

Em tom emocionado, o senador disse que chorou “de alegria”. “Vocês me fizeram chorar mas foi de alegria, de esperança. Amor com amor se paga”, afirmou. “Temos esperança, o Brasil não é isso aí. Temos que mudar esse velho sistema que funciona só pra eles, mas não funciona para você. Ou o Brasil vence, ou eles derrotam o Brasil. É hora de mudar, o nosso futuro não é o passado.”

Parte do horário do candidato do PL foi destinado pela Justiça Eleitoral a uma resposta da Federação Brasil Esperança, que apoia a reeleição de Lula. “Diante dos ataques do candidato Flávio Bolsonaro à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e à Igreja Católica, manifestamos o nosso repúdio”, diz a nota. “É inaceitável que um candidato desrespeite religiosos por interesses eleitoreiros. Nossa solidariedade aos bispos, aos devotos de Nossa Senhora Aparecida e aos brasileiros de todas as religiões.”

'MUDANÇA COMEÇOU'

A propaganda de Lula apresentou o candidato em uma tentativa de mostrar que a “mudança já começou”. “Você acorda cedo e trabalha duro, mas sente que ainda falta alguma coisa. A mudança na vida dos brasileiros já começou a acontecer. Quem ganha até 5 mil reais não paga Imposto de Renda. O fim da escala 6 x 1 vai representar uma mudança na sua vida. Estamos acabando com as bets. É uma questão de respeito com o povo.” Além da mudança na cobrança do IR e do fim das bets, ele citou a taxação dos mais ricos.

O programa mostrou então promessas para um eventual novo governo, intercaladas com pessoas criticando Flávio Bolsonaro. As mensagens disseram que Flávio “defende as bets e defende cassinos” e que o candidato do PL “não tem moral para comentar nada, muito menos para ser presidente do país”. Entre as promessas apareceram a criação do Sistema Único de Segurança Pública e o fim dos impostos sobre a carne e produtos de higiene.

'MESMA LADAINHA'

Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) também fizeram suas despedidas do horário eleitoral. Cury fez uma referência a Lula e Flávio Bolsonaro e disse que é sempre “a mesma ladainha”. “O Brasil precisa de novas ideias”, afirmou o candidato. A propaganda terminou com o slogan “Cury é a cura”.

Já a propaganda de Caiado afirmou que o governador de Goiás “é um cara bacana, médico, pai de família e governador aprovado por nove a cada dez pessoas”. Ele fez um apelo contra o chamado “voto útil” – dado aos dois principais concorrentes para tentar evitar um segundo turno – para tentar atrair o eleitor bolsonarista. “Conversei com as pessoas, ouvi mães, ficou muito claro o que nos une é muito maior do que aquilo que nos separa”, disse Caiado. “Tenho lado e nunca escondi. Peço que você olhe para a frente, sem abrir mão do que você acredita. Precisamos recuperar o tempo perdido.”

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