Brasília - A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL) acionou formalmente o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, com um pedido para retirar o ministro Flávio Dino da relatoria do inquérito que apura supostos repasses irregulares de emendas parlamentares para a produção do filme Dark Horse — cinebiografia que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro.

De acordo com informações publicadas pela Revista Veja e do Estadão Conteúdo, os advogados do parlamentar argumentam que o caso deve ser transferido para o gabinete do ministro André Mendonça.

A petição sustenta que Mendonça deve assumir a relatoria por "prevenção", uma vez que ele já é o responsável por conduzir uma outra linha de investigação no STF envolvendo o Banco Master e as negociações financeiras ligadas à mesma produção cinematográfica.

Segundo a defesa, manter as apurações centralizadas em um único ministro evita o risco de decisões judiciais conflitantes sobre os mesmos fatos.

O foco da apuração

O inquérito que corre sob a relatoria de Flávio Dino foca no suposto repasse de R$ 2 milhões em emendas parlamentares, enviadas pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), para organizações não governamentais controladas por Karina da Gama, sócia da produtora responsável pelo filme. Conforme noticiado pela imprensa nacional, a defesa de Frias nega qualquer irregularidade e afirma que os repasses tiveram destinação social, sem vínculo com a obra.

Por outro lado, a investigação atribuída a André Mendonça apura possíveis fraudes bancárias e se contribuições milionárias ao filme teriam relação com outras movimentações financeiras no exterior.

A transferência definitiva do inquérito das emendas para o gabinete de André Mendonça aguarda a análise e deliberação do presidente do Supremo, ministro Edson Fachin.

Dark Horse

O filme que retrata a vida política de Bolsonaro ganhou destaque após o site The Intercept revelar que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações. Em diálogos extraídos pela Polícia Federal de um dos celulares do ex-dono Banco Master, Flávio pede R$ 61 milhões para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Até o portal The Intercept Brasil tornar público que Vorcaro teria injetado dinheiro na produção, Flávio dizia não ter relações com o banqueiro. Com o vazamento de seus áudios, passou a admitir o contato com Vorcaro, alegando que se aproximou do banqueiro em 2024, após o fim do governo Bolsonaro, e antes de a PF e o Poder Judiciário reunirem provas do que pode ser a maior fraude já cometida contra o Sistema Financeiro Nacional no Brasil, causadora de potencial prejuízo de dezenas de bilhões de dólares.

mockup