Brasília - O investidor e ex-secretário de Turismo do México, Simón Levy, publicou uma postagem nas redes sociais nesta terça-feira (27) relatando que Flávio Bolsonaro teria chegado aos Estados Unidos (EUA), em uma articulação liderada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A fuga de Flávio, menos de 48 horas após perder as eleições presidenciais, também foi confirmada pela agência de notícias Reuters.

"Como relatei há algumas horas, Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos. O cérebro por trás dessa operação é o Secretário de Estado dos EUA Marco Rubio. Dos Estados Unidos, livre e seguro, Flávio liderará a oposição contra Lula", escreveu.

Levy é empresário e advogado e se autodescreve publicamente como um aliado próximo e alguém que serve a Donald Trump e ao movimento MAGA [Make America Great Again, no inglês].

A Agência Brasil procurou a assessoria de Flávio, mas não recebeu retorno. O senador não chegou a entregar seus passaportes à Polícia Federal (PF) após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão está em segredo de justiça e foi tornada pública pelo senador em suas redes sociais. A ordem judicial faz parte do processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados no STF. Por causa do descumprimento, os passaportes do parlamentar foram cancelados diretamente pela PF.

PASSAPORTES CANCELADOS

Os passaportes de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foram cancelados após ele não entregá-los, conforme determinado pela Justiça, informou uma fonte policial à AFP nesta terça-feira enquanto o paradeiro do senador permanece desconhecido.

A agência britânica Reuters, informou que um aliado próximo a Flávio disse que o senador fugiu para os Estados Unidos. De acordo com a Reuters, as filhas do senador não foram à escola nesta terça, indicando que elas estariam no avião com destino aos Estados Unidos.

A Justiça havia determinado que Flávio entregasse seus documentos, após a derrota nas eleições de domingo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Flávio, de 45 anos, é investigado por suposta corrupção e lavagem de dinheiro no financiamento de um filme sobre seu pai, entre outras investigações em curso.

"Os passaportes de Flávio Bolsonaro estão cancelados" após descumprimento da ordem judicial, disse a fonte, acrescentando que não "há registro formal" de que o senador tenha saído do Brasil.

As autoridades argentinas, por sua vez, desmentiram versões divulgadas pela imprensa local, segundo as quais Flávio teria tentado sair do Brasil através da Argentina.

Nesta terça-feira, o portal argentino Infobae informou que a companhia aérea Baires Fly teria preparado um voo fretado para o senador, partindo de território argentino rumo aos Estados Unidos.

"É tudo falso, ele nunca entrou", disse à AFP uma fonte do Ministério da Segurança da Argentina.

O paradeiro do senador é desconhecido, enquanto seu entorno mantém silêncio a respeito.

A AFP constatou que uma comitiva saiu, nesta terça-feira, de sua residência em Brasília, sem que fosse possível determinar se Flávio estava dentro de algum dos veículos.

'TENTAR INTIMIDÁ-LO'

Flávio Bolsonaro, que não reconheceu sua derrota eleitoral, disse na segunda-feira que foi proibido de deixar o país, em uma "tentativa de me intimidar".

"Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração", disse em um vídeo.

Após perder as eleições, o ex-candidato conservador afirmou que pediria a anulação do segundo turno, argumentando que a decisão judicial de prorrogar a votação em duas horas beneficiou Lula.

O presidente, de 81 anos, venceu o segundo turno com quase 52% dos votos, contra 48% do conservador, uma diferença de mais de 4 milhões de votos.

Flávio era o favorito para vencer o segundo turno, após ter saído na frente no primeiro.

Ele havia prometido que, caso vencesse, sua primeira medida de governo seria libertar o pai, Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentar aplicar um golpe de Estado contra Lula após perder as eleições de 2022.

Paralelamente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta terça-feira que a Polícia Federal investigue um possível financiamento estrangeiro à campanha do senador.

Flávio Dino solicitou a investigação da "eventual origem, circulação e destinação de recursos estrangeiros" e de outras formas de suposta interferência eleitoral, como "manipulações" em redes sociais, segundo a decisão consultada pela AFP. (Colaborou Facundo Fernández Barrio/ France Presse)

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