Flávio Bolsonaro teria destinado emenda parlamentar a miliciano envolvido no caso Marielle
Gabinete de senador do PL acertou destinação de recursos para Robson Calixto, condenado pelo assassinato da vereadora carioca. Flávio nega irregularidades
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quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Gabinete de senador do PL acertou destinação de recursos para Robson Calixto, condenado pelo assassinato da vereadora carioca. Flávio nega irregularidades

Brasília - O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vê seu nome no centro de novas turbulências políticas e jurídicas. Reportagens recentes revelaram que o parlamentar destinou uma emenda parlamentar articulada diretamente com um personagem ligado à milícia e condenado no âmbito do caso Marielle Franco. O episódio soma-se a um flanco de investigações sensíveis no Supremo Tribunal Federal (STF), que inclui a apuração sobre o financiamento da cinebiografia Dark Horse, filme de exaltação ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com as apurações trazidas a público pela jornalista Andréia Sadi, da GloboNews e do G1, o gabinete de Flávio Bolsonaro acertou a destinação de uma emenda parlamentar no valor de quase R$ 200 mil (aproximadamente R$ 199 mil) negociada com Robson Calixto, conhecido como "Peixe". Calixto é um ex-assessor e miliciano condenado por envolvimento nos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Registros e prints de conversas obtidos pelos investigadores mostram que a interlocução entre uma assessora do senador (Maria de Fátima) e "Peixe" ocorreu em 2023. A Polícia Federal apura indícios de que os recursos públicos enviados por meio dessa emenda possam ter sofrido desvios.
Em 24 de outubro de 2023, Calixto iniciou o contato escrevendo: “Amiga vê com o nosso senador se consegue nos ajudar”.
A assessora respondeu quatro minutos depois: “Manda a solicitação meu amigo”, orientando-o a enviar um e-mail ou ofício. Após o envio do documento por Peixe, ela perguntou quando ele iria a Brasília e se conseguiriam ajuda.
Em outra mensagem de cobrança posterior para não deixar o projeto terminar, a assessora instruiu o miliciano a reforçar o pedido diretamente em reuniões institucionais do gabinete, consolidando os repasses que a Polícia Federal agora investiga por indícios de desvio.
IMPLICAÇÕES POLÍTICAS
A associação de recursos públicos geridos por um parlamentar federal a figuras condenadas por crimes de sangue e milícia traz graves implicações a Flávio.
Como candidato à Presidência, o desgaste de ter conexões operacionais ligadas a investigados por homicídio e crime organizado afeta o discurso de combate à criminalidade.
No plano legal, a investigação busca determinar se houve dolo, improbidade ou crimes funcionais na escolha do destino da verba e na relação mantida com o emissário.
O QUE DIZ FLÁVIO BOLSONARO
Questionado sobre as revelações, o senador Flávio Bolsonaro tem negado irregularidades em suas atividades parlamentares e rechaçado acusações de favorecimento a ilícitos, pontuando que suas emendas seguem os trâmites institucionais regulares do Congresso.
A pressão sobre o parlamentar é agravada pelo avanço das apurações no STF relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia voltada à exaltação da trajetória de Jair Bolsonaro.
DARK HORSE: CUSTO EXORBITANTE
Autorizado pelo Supremo, o inquérito apura suspeitas de crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. Conforme revelado em investigações e diálogos divulgados pela imprensa, Flávio Bolsonaro articulou e pediu diretamente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro a quantia de cerca de US$ 24 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões**, para viabilizar o projeto e pagar cachês a nomes do cinema internacional. Desse total negociado, apurou-se que dezenas de milhões de reais (superando a faixa de R$ 62 milhões em repasses efetivados) já foram injetados na produtora por fundos ligados ao ex-banqueiro.
O montante chamou fortemente a atenção de investigadores e especialistas do setor cultural pela disparidade em relação aos custos usuais de produções audiovisuais. Para efeito de comparação, o orçamento de Dark Horse (R$ 134 milhões) é expressivamente superior aos custos de aclamados filmes nacionais recentes de grande repercussão.
"Ainda Estou Aqui", dirigido por Walter Salles, obteve repercussão mundial ao vencer o Oscar 2025 de melhor filme internacional e premiação para Fernanda Torres, como melhor atriz no Globo de Ouro, e teve orçamento estimado girou em torno de R$ 45 milhões.
"O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, teve orçamento estimado na casa de R$ 28 milhões e foi premiado como melhor filme de língua não inglesa no Globo de Ouro 2026 e de melhor ator para Wagner Moura na categoria drama.
Enquanto defensores do projeto argumentam que os valores se justificam pela contratação de astros internacionais — como o ator Jim Caviezel —, o patamar exorbitante levantou fortes suspeitas nos órgãos de controle sobre o uso do projeto para circulação de recursos atípicos ou ocultação de patrimônio. A defesa de Flávio tem rechaçado as acusações e alegado que tratava-se de busca legítima por patrocínio privado para fomento cultural.


Da Redação
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