Brasília - De acordo com informações publicadas pela revista Piauí e repercutidas por portais como o UOL, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, sua mulher e sua família utilizaram, em janeiro de 2025, um jato executivo modelo Embraer Legacy 650 para retornar de Fort Lauderdale (na Flórida, Estados Unidos) a Brasília.

Conforme apontado pelas reportagens, a mesma aeronave — que possui ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (ex-controlador do Banco Master) — foi utilizada meses depois, em agosto do mesmo ano, pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, cujo desembarque do jatinho foi amplamente divulgado e gerou debates na esfera pública.


A associação entre a família de Flávio Bolsonaro e os ativos ligados a Daniel Vorcaro traz forte desgaste político e repercussões jurídicas para a sua campanha presidencial. O episódio do uso do jato e outras interações com o ex-banqueiro, preso por fraude bilionária ao sistema financeiro, colocam o candidato em uma situação de contradição perante o eleitorado, especialmente considerando que a própria campanha de Flávio tentou explorar politicamente o uso da mesma aeronave por ministros do STF para criticar adversários e o sistema de justiça.



FINANCIAMENTO A DARK HORSE

Segundo levantamentos e relatórios divulgados por veículos como a revista Piauí, o jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), o portal G1 e o The Intercept Brasil, existem diversas outras frentes de investigação mapeadas pela PF (Polícia Federal) que conectam o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro

Conforme detalhado em relatórios da PF e publicado pelo G1 e pela revista Piauí, investigadores apontam que Flávio Bolsonaro atuou diretamente como interlocutor de Vorcaro para viabilizar aportes financeiros internacionais milionários — estimados em cifras que giram em torno de R$ 61 milhões — destinados à produção de um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que teve custo estimado em R$ 134 milhões. Os autos registram áudios e mensagens em que o senador cobra repasses em atraso, expressa receio de dar calote em atores e diretores estrangeiros e agenda reuniões presenciais.

Ao ser questionado inicialmente pela imprensa sobre as cobranças e o envolvimento com o então dono do Banco Master, Flávio Bolsonaro negou veementemente as informações. Contudo, após o vazamento de áudios e mensagens, o senador admitiu publicamente os contatos e os encontros presenciais com Vorcaro, passando a sustentar que atuou apenas na busca de patrocínio privado para homenagear o pai.

Segundo manifestações oficiais repercutidas pela CNN Brasil e pelo G1, a defesa do senador sustenta que não houve qualquer promessa de favorecimento político ou contrapartida ilícita, enfatizando que todo o processo tratou-se estritamente de captação de recursos privados para uma obra cultural, sem o uso de verbas públicas ou leis de incentivo fiscal.

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USO DE APARTAMENTO EM SÃO PAULO


De acordo com apurações da revista Piauí, Flávio utilizou durante a campanha em São Paulo um apartamento que havia sido comprado de Fabiano Zettel — cunhado e operador financeiro de Vorcaro — por um advogado e amigo próximo do senador, transação que ocorreu com um deságio de 2 milhões de reais e levantou suspeitas de ocultação patrimonial.

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