Brasília - O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), reagiu com duras críticas à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que na segunda-feira (13) suspendeu por 90 dias seu direito de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar. O parlamentar acusou o magistrado de usar pretextos jurídicos para prejudicar sua pré-campanha e interferir diretamente no cenário político de 2026.

Em declaração pública reproduzida pela imprensa, Flávio rechaçou os argumentos do ministro e atacou a postura do tribunal: "Não vamos ser ingênuos. O ministro quer apenas 'uma desculpinha' para retirar o presidente Bolsonaro da prisão domiciliar e tentar interferir nas eleições".

O senador também utilizou suas redes sociais para minimizar o impacto da medida e demonstrar confiança no pleito de outubro, afirmando em tom desafiador: "O presidente Bolsonaro é que vai colocar a faixa de presidente em mim em janeiro do ano que vem. Anota aí. Vocês vão ver essa cena".


A suspensão das visitas ocorreu após Flávio realizar uma transmissão ao vivo nas redes sociais lendo uma carta escrita à mão por Jair Bolsonaro. No documento, o ex-presidente declarava o filho como seu "porta-voz" e a "melhor opção" para a disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo informou o portal G1, o ministro Alexandre de Moraes considerou que o episódio configurou um "ostensivo desvio de finalidade" das visitas familiares. Para o magistrado, a live serviu para burlar a proibição de uso de redes sociais imposta ao ex-presidente, utilizando o filho como intermediário. Com a nova restrição, pai e filho estão impedidos de se encontrar presencialmente até o encerramento do primeiro turno das eleições.

VIOLAÇÃO DE DIREITO

Os advogados de Flávio Bolsonaro classificaram a determinação do STF como desproporcional e ilegal. A defesa, liderada pelo advogado Tracy Reinaldet, emitiu uma nota oficial divulgada pelo G1 sustentando que a medida impede o livre exercício profissional do senador. Como Flávio está formalmente registrado como um dos defensores jurídicos do pai, a decisão violaria prerrogativas constitucionais.

"A decisão de hoje aproxima o Presidente Jair Bolsonaro da incomunicabilidade. Sempre respeitando as instituições, as medidas judiciais serão tomadas para reverter essa situação ilegal e inconstitucional. [...] A proibição de contato viola, portanto, o direito que o advogado tem de se comunicar com seu representado", manifestou a equipe jurídica.

FRAQUEZA DE FLÁVIO

O embate judicial ecoou imediatamente na campanha dos demais pré-candidatos à Presidência da República.

Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás e concorrente na disputa presidencial, viu o episódio como uma demonstração de fraqueza da postulação de Flávio. Conforme publicado pela Fundação Perseu Abramo, Caiado afirmou que a dependência de uma carta de apoio evidencia a "fragilidade" da candidatura do senador, argumentando que um postulante ao Planalto deve demonstrar autonomia política.


O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara e um dos autores do pedido de investigação contra a live, criticou a conduta do clã Bolsonaro. De acordo com o G1, Farias apontou que o ex-presidente "descumpriu deliberadamente as condições impostas" pela Justiça ao produzir um manifesto político de dentro da prisão domiciliar para ser difundido na internet.

TSE VAI ANALISAR LIVE

Ao analisar o conteúdo do vídeo, o ministro Alexandre de Moraes identificou indícios de propaganda eleitoral antecipada irregular, uma vez que a leitura da carta trazia apelos equivalentes a um pedido explícito de voto antes do período permitido por lei.

De acordo com informações do G1 e da revista Veja, Moraes acionou oficialmente o Ministério Público Eleitoral (MPE) para apurar o caso. Se o MPE formalizar a denúncia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgará a ação, o que pode resultar em multas pesadas para o senador e criar novos obstáculos jurídicos para o registro da chapa de Flávio Bolsonaro.

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