Entidades de classe de Londrina engrossam ato contra STF e por 'segurança jurídica'


Guilherme Marconi - Grupo Folha
Guilherme Marconi - Grupo Folha

Com expectativa de refletir a polarização política que tomou conta do país desde as eleições de 2018, o feriado do Dia da Independência, nesta terça, 7 de setembro, será marcado por manifestações em várias capitais e cidades de grande e médio porte. Em Londrina, os atos convocados por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ganharam a adesão de oito entidades de classe da região, mas elas dizem que não têm como pauta uma agenda pró-governo. O documento é assinado por Sociedade Rural do Paraná (SRP), Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Secovi, Sinduscon Norte, Sindimetal, Ceal (Clube de Arquitetura e Engenharia), Aepic (Associação das Empresas da Cidade Industrial de Cambé) e o Sincovave (Sindicato do Comércio Varejista de Veículos).  

 

Entidades de classe de Londrina engrossam ato contra STF e por 'segurança jurídica'
Luiz Souza /Fotoarena/Folhapress
 



Os atos serão realizados em Londrina por caminhoneiros às 8 horas, em frente ao Parque Ney Braga, e às 15 horas, no cruzamento entre as avenidas Higienópolis e Juscelino Kubitschek. A manifestação no centro foi convocada por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Procurado pela FOLHA, o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Londrina, Carlos Delarosa, disse que a mobilização não é organizada pelo sindicato e respondeu que os caminhoneiros têm autonomia para participar da manifestação, caso sejam favoráveis às bandeiras defendidas nessa mobilização


Já as oito entidades de classe questionam abertamente decisões tomadas recentemente pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O grupo entende que há "interferência do STF no Legislativo e com maior ênfase no Executivo que tira a representatividade do povo que elegeu seus representantes'. O texto das entidades ainda mostra um inconformismo com a anulação dos processos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ministros da Suprema Corte. 


Para o presidente da Sociedade Rural, Antonio Sampaio, as entidades não consideram que a pauta tem caráter pró-Bolsonaro, mas sim um momento delicado que exige uma manifestação com posicionamento claro sobre a tensão política atual. "Seria uma omissão nossa que as coisas acontecessem sem o nosso parecer. É uma manifestação contra a disfunção entre os Poderes. Entendemos que o Supremo está agindo e cometendo excessos. Eles precisam estar lá respeitando a Constituição e não podem tirar o direito da livre manifestação. O Legislativo também tem aprovado questões que não são do interesse do povo. Muitos estão lá só para defender interesse partidário ou pessoal."


Segundo ele, os empreendedores do Norte do Paraná sentem que o momento político atual cria uma insegurança jurídica ao país. "Os investidores tiraram o pé do acelerador. As pessoas não investem, não sabem se podem dar o próximo passo. Nossa manifestação não tem qualquer referência partidária."


A presidente da Acil, Marcia Manfrin, destacou que o principal intuito da entidade ao assinar a carta aberta está no foco da retomada da economia e em apoio à democracia. "Precisamos que o país avance e que as reformas sejam aprovadas, a tributária, a política e a administrativa. Dessa forma, os investimentos estarão vindo para o nosso país, e os empresários locais poderão voltar a acreditar e retomar a economia. Precisamos destravar o nosso país e dessa forma ficarmos mais fortes", disse em nota. 


PROTESTO DE ESQUERDA

Já os movimentos sociais de esquerda, centrais sindicais e pastorais sociais marcaram um ato do Grito dos Excluídos 2021 às 9h, com concentração na Praça do Jardim União da Vitória 4 ( perto da UBS do bairro - Rua 19 de Abril, 55). No local haverá uma breve celebração, seguida de reflexões de lideranças populares com a entrega de cestas básicas para a comunidade. À tarde, outros movimentos sociais e grupos autônomos de esquerda organizam uma manifestação às 16 horas em frente à Biblioteca Pública Central. O movimento na região central é descentralizado e segundo os organizadores "trata-se de uma manifestação de diálogo com o povo e não uma demonstração de força política direta", respondeu Fernand Silva, membro do Comitê Unificado Londrina. 

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