Empresário nega ter recebido dinheiro de Valdir Santa Fé
Em depoimento ao Ministério Público, dono de loja de veículos também afirma que não investiu na campanha do vereador
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de março de 2026
Em depoimento ao Ministério Público, dono de loja de veículos também afirma que não investiu na campanha do vereador

O empresário londrinense apontado como peça central de um suposto esquema de rachadinha no gabinete do vereador Valdir Santa Fé (PP) negou, em depoimento ao MPPR (Ministério Público do Paraná), ter recebido dinheiro do parlamentar ou investido na campanha do progressista em 2024.
O promotor Renato de Lima Castro, da 26ª Promotoria de Justiça de Londrina, instaurou, em novembro de 2025, um inquérito civil para apurar a suspeita de repasses de recursos públicos ao empresário, que é investigado junto com o parlamentar. Em uma conversa gravada pela filha, que foi assessora de Valdir, o homem afirma que receberia R$ 6 mil do gabinete, sendo R$ 3 mil do vereador e outros R$ 3 mil divididos entre três assessores.
“Eu coloquei dinheiro na campanha dele. Esse dinheiro não voltou para mim ainda. Vai passar alguns [anos], uns dois anos para voltar meu dinheiro. Eu tenho meu dinheiro de volta. Você não está entendendo. É coisa de homem, nós não temos contrato, não foi nada no cartório. É coisa de homem, na política tem acordo”, diz na gravação feita em meados de junho de 2025.
Em depoimento, contudo, o empresário negou qualquer acordo com o parlamentar. Ele disse que conhece o vereador desde 2008 e que os dois são amigos. Também confirmou que trabalhou como voluntário na campanha, mas negou ter emprestado dinheiro a Valdir ou recebido qualquer valor do gabinete.
“Nenhum [deles, Valdir ou assessores] me entregou dinheiro, isso não existe. Isso é ela [a ex-assessora, sua filha] que está dizendo”, disse o empresário ao promotor na última quarta-feira (18). Ao ser questionado sobre a gravação, que traz outra versão, justificou que sua fala ocorreu em um momento de “desespero de pai”, ao tentar fazer com que a jovem permanecesse empregada na CML (Câmara Municipal de Londrina). “Era um cargo muito bom, ganhava razoavelmente bem, trabalhava muito pouco. Ela é formada em Direito, eu tinha intenção que ela seguisse carreira, fosse ao contrário do que está sendo.”
Segundo o empresário, a filha atravessava um momento conturbado. Ele afirmou que sua esposa, madrasta da ex-assessora, trabalhou no gabinete e que, após a saída dela, indicou a jovem para a vaga.
Sobre a relação com os assessores de Valdir, o empresário afirmou que vendeu uma moto e um consórcio para um deles e um carro para outro. “Eu tenho como provar isso”, pontuou. Ele também disse que a filha o estava pagando pela compra de um carro.
A jovem trabalhou no gabinete entre 5 de março e 17 de julho de 2025, com um salário bruto de R$ 4.458,59. Em depoimento ao promotor, ela disse que, do salário recebido como assessora, repassava cerca de R$ 800 ao pai por meio da chave Pix da esposa dele. O MPPR recebeu dois comprovantes de transferências feitas pela ex-assessora para a conta da madrasta, nos valores de R$ 781,39 e R$ 750,71.
Em entrevista à FOLHA, o vereador Valdir Santa Fé afirmou que conhece o empresário e a esposa dele, que trabalharam na campanha de 2024, mas negou qualquer repasse de dinheiro feito por ele ou por assessores.
“Desconheço essa situação de rachadinha, isso tudo tem que ter provas concretas para falar da gente. Quem não deve, não teme. Eu não devo isso aí, e isso aí vai ter que provar”, disse o vereador, que tem conhecimento dos áudios presentes no inquérito e afirmou não ter recebido nenhuma doação do empresário.
Leia mais:
A FOLHA apurou que os assessores e o empresário citados no inquérito civil já prestaram depoimento ao MPPR e que o vereador também deverá ser ouvido.
Na Câmara de Londrina, nenhuma representação foi apresentada contra o vereador. Procurado pela reportagem, o Legislativo afirmou que acompanha a investigação do MPPR.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.





