.
. | Foto: Ricardo Chicarelli/13-09-2018

O modelo de gerenciamento da frota pública do Estado foi mudado a partir da licitação vencida pela JMK, em 2014. Antes, cada oficina de manutenção de veículos que atendia a administração estadual tinha um contrato separado. A JMK - alvo da Operação Peça Chave nesta terça-feira (28) - passou a centralizar a gestão da frota, acionandouma rede de oficinas credenciadas. Durante as ações, 15 pessoas foram presas.

Foi nesta mudança de modelo que a empresa entrou no radar de outra operação: a Voldemort, que revelou que o empresário londrinense Luiz Abi Antoun era o verdadeiro dono da oficina Providence Auto Center, de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), e que tinha contrato com o governo do Estado. Denunciado em outras investigações, Abi Antoun conseguiu viajar com autorização da Justiça para o Líbano, mas não retornou. A defesa alega que ele está em tratamento de saúde. A Justiça brasileira deve pedir ajuda ao país do Oriente Médio para localizar o empresário, que tem cidadania do país.

Conforme noticiou a FOLHA em abril de 2015, a operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) descobriu que a suposta organização criminosa que fraudou a contratação emergencial da oficina pretendia continuar prestando serviços como subcontratada da JMK.

LEIA MAIS

Contrato foi prorrogado pelo governo estadual apesar de irregularidades

Ex-secretário de Cida e Beto Richa diz que reajuste a fornecedora foi legal

O cadastramento da Providence seria providenciado por um diretor do Departamento de Transporte Oficial. Conversas telefônicas mostraram que o diretor manteria contrato com o representante da JMK para indicar a Providence. A empresa informou, na época, que a Providence não fazia parte da rede credenciada da JMK. A oficina não apareceu na relação das mecânicas credenciadas.

Os promotores do Gaeco pediram a remessa do inquérito à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Curitiba para apurar eventuais irregularidades no procedimento licitatório que culminou com a contratação da JMK.

Questionada pela FOLHA acerca da relação entre os casos, a Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento, e que, por isso, não seriam fornecidos detalhes “para não prejudicar o andamento das mesmas”.

mockup