Em meio a atrasos, concessionárias suspendem pagamentos à CMTU
Valores referentes à taxa de gerenciamento do transporte chegam a mais de R$ 1 milhão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Valores referentes à taxa de gerenciamento do transporte chegam a mais de R$ 1 milhão

As concessionárias do transporte coletivo de Londrina suspenderam o pagamento da taxa de gerenciamento do setor, repassada à CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). A ausência dos repasses foi constatada na semana passada pela companhia, que identificou R$ 315 mil em débitos vencidos da Londrisul e outros R$ 709 mil da TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina).
A alíquota da taxa é de 4% sobre o faturamento das empresas com a prestação do serviço na cidade e serve para remunerar a CMTU pelas atividades de operação, gerenciamento, planejamento e fiscalização do transporte coletivo de Londrina.
A Diretoria de Transportes da companhia confirmou que as empresas protocolaram pedidos de suspensão temporária da cobrança referente ao mês de agosto. Em nota, a TCGL disse que pediu a suspensão “até que haja a regularização dos repasses pela Prefeitura Municipal do custeio, da gratuidade e do subsídio escolar do transporte coletivo”. A Londrisul não comentou a decisão.
De acordo com a CMTU, as solicitações foram encaminhadas à PGM (Procuradoria-Geral do Município), uma vez que cabe ao município realizar a gestão financeira do contrato de concessão do transporte coletivo.
A queda de braço entre a administração municipal e as empresas vem se arrastando há meses. No final de setembro, ao anunciar medidas de contingenciamento, o prefeito Tiago Amaral (PSD) elencou a redução do subsídio ao transporte coletivo entre as ações para conter as despesas da Prefeitura. Também foram anunciadas mudanças na operação do sistema, com redução de viagens e aumento dos intervalos entre as voltas em linhas de baixa demanda.
Em 2025, foram repassados mais de R$ 170 milhões às concessionárias, em razão do aumento da tarifa técnica. Para 2026, a previsão era de que o custo do subsídio chegasse a R$ 177 milhões, apesar de apenas R$ 118 milhões estarem previstos no orçamento deste ano. A estimativa é de que cerca de R$ 100 milhões tenham sido pagos pelo município até a interrupção dos repasses.
A reportagem confirmou que a Londrisul tem um montante líquido de mais de R$ 7,5 milhões a receber do município, referente a notas fiscais vencidas desde o final de agosto. A TCGL não detalhou os valores em atraso.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.


