O juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Londrina, Marcos José Vieira, negou os embargos de declaração apresentados pela defesa do vereador Gerson Araújo (PSDB) sobre a condenação por improbidade administrativa por possível interferência do parlamentar na venda de um terreno na zona norte à construtora Iguaçu do Brasil. A decisão do magistrado foi publicada na semana passada. No final de fevereiro, Araújo e mais duas pessoas - seu ex-assessor na Câmara, William Polaquini Godoy e o dono da empresa, Carlos Alberto Campos de Oliveira - foram sentenciados a perda dos direitos políticos, da função pública e pagamento de multa.

Justiça condena Gerson e mais três por interferência em venda de terreno

O caso envolvendo o tucano aconteceu quando ele assumiu interinamente a Prefeitura de Londrina, em 2012, após a cassação de Barbosa Neto (sem partido) e a renúncia de José Joaquim Ribeiro, até então no PSC. Na época, Godoy, que atuava como chefe de gabinete do Executivo, teria entrado em contato com os donos do terreno e comunicado o interesse da administração municipal em erguer uma vila olímpica no local, levando assim na desapropriação da área. Segundo os autos, o negócio com a Iguaçu do Brasil foi fechado, mas os pagamentos não foram efetuados aos proprietários.

Imagem ilustrativa da imagem Defesa de Gerson Araújo vai ao TJ para reverter condenação por improbidade
| Foto: Reprodução/CML


Para o Ministério Público, os telefonemas de Godoy à família culminaram na venda do loteamento, situado nas imediações da avenida Henrique Mansano, perto do Estádio do Café. Ainda segundo os promotores, Araújo teria concordado com a atitude de seu ex-funcionário. O documento de desapropriação foi elaborado por ele em 2013, quando retornou à Câmara, mas não chegou a ser encaminhado ao plenário da Casa. Nos embargos impetrados em primeiro grau, o advogado Vinícius Borba questionou a comprovação da suposta ligação entre o vereador e a construtora. "Ele nunca teve contato com pessoas desta instituição, muito menos dos representantes que teriam sido vítimas", afirmou. O juiz Vieira, no entanto, como o protocolo teria parado nas mãos de Carlos Alberto.

Borba argumentou que o processo reúne provas de que os donos já teriam iniciado a venda do terreno antes de uma eventual ingerência de Araújo. Com a negativa do juiz Vieira, a saída da defesa é tentar reformar a sentença no TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná). "Vou usar as mesmas alegações de que ele (Gerson) nunca teve relação com a Iguaçu", disse o defensor. Mesmo condenado, o tucano segue na Câmara. O mandato só poderia ser revogado após a análise e votação de uma das Turmais Recursais do TJ. Em caso de derrota, a decisão poderá ser revista em instâncias superiores. "Acredito que Curitiba irá mudar o despacho em primeiro grau", comentou.

Em 2016, Araújo foi eleito com 2.541 votos.

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