Curitiba - Em meio a um clima de tensão nos bastidores, os três principais candidatos ao governo do paraná, Sandro Alex (PSD), Sergio Moro (PL) e Requião Filho (PDT), participaram na noite de terça-feira (21), na RPC TV, em Curitiba, do único debate entre os principais concorrentes ao Palácio Iguaçu nesta campanha eleitoral. O debate teve trocas de acusações e Sandro Alex como principal alvo.

Duas horas antes do início do confronto o clima já era tenso na redação da retransmissora da Rede Globo no Paraná. Os três candidatos aguardavam o início do debate a poucos metros de distância um do outro e deram entrevistas. Sandro Alex chegou com o governador Ratinho Junior (PSD), que não poupou críticas a Sergio Moro.

“Eu não posso reescrever a história, mas posso mudar de opinião. Como boa parte da população do Paraná e do Brasil já mudou”, disse o governador quando questionado sobre o apoio dado a Moro no passado, quando ele ainda era juiz. “A população tinha a imagem do juiz que trabalhava representando o Poder Judiciário, julgando os casos, mas o político é bem diferente daquele juiz da propaganda”. Ratinho Junior disse que Moro traiu o Paraná ao tentar se candidatar por São Paulo, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-senador Alvaro Dias.

Moro atribuiu as críticas de Ratinho Junior ao candidato escolhido pelo governador. “Existe um escolhido pelo governador que não tem evoluído nas pesquisas e isso tem gerado essas reações do governador.” Questionado sobre as novas denúncias envolvendo o candidato a presidente do PL, Flávio Bolsonaro (que envolveriam um relógio Rolex como presente e participação em orgias), Moro mandou os repórteres “perguntarem para o Flávio”. “Eu estou focado aqui no debate, mas essas perguntas vocês têm que fazer lá para o Flávio Bolsonaro. Ele apresentou as explicações dele.”

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COPEL E RESORT TAYAYÁ

Moro e Sandro Alex tiveram os enfrentamentos mais tensos durante o debate. O ex-juiz acusou o governo de Ratinho Junior de priorizar a construção de uma rodovia que liga ao Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (Norte Pioneiro), empreendimento que teria a participação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli. Ele também culpou o governo pelo reajuste de 20% nas tarifas de energia elétrica e lembrou a contratação do Credcesta – cartão de empréstimo consignado do Banco Master oferecido a servidores estaduais durante o governo de Ratinho Junior.

Sandro Alex negou que o governo tenha priorizado o resort e disse que o reajuste nas tarifas de energia são definidas pelo governo federal – o que não é exatamente certo, pois o índice é apresentado pela Copel e apenas homologado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O candidato apoiado por Ratinho Junior acusou Moro de trair o ex-presidente Jair Bolsonaro e votar a favor da nomeação de Flávio Dino, indicado por Lula, como ministro do STF. Moro negou, disse que a votação foi secreta e que não declarou seu voto para não sofrer “retaliações”.

Requião Filho classificou o enfrentamento entre os dois candidatos de direita como um “ringue divertidíssimo”. “A pessoa saiu da novela e pegou esse ringue divertidíssimo. Hoje cedo, o Papa Leão XIV falou que não existe nada mais longe do cristianismo do que a extrema direita”, afirmou o candidato, que também trocou acusações com Sandro Alex. Os confrontos entre o candidato do PDT e Sergio Moro foram mais amenos.

Sandro Alex acusou o governo do pai de Requião Filho, o ex-governador Roberto Requião, de impor restrições de importação e exportação ao Porto de Paranaguá. “Hoje não tem restrição nenhuma mesmo”, respondeu Requião Filho. “Tem cocaína entrando pelo porto, entrou o metanol que matou um monte de gente, tem um bando ligado ao PCC. Não tem controle nenhum no Porto de Paranaguá.”

REPERCUSSÃO

Depois do debate, Sandro Alex atribuiu as críticas a um suposto crescimento de sua candidatura. “Eu fui o último a começar uma campanha, meus concorrentes estão em campanha há quatro anos. E nós avançamos muito”, disse. “Prova disso é que já abriram o debate com um tom alto em cima da minha candidatura e do governo que eu represento. Eles sempre vão receber de mim a agressividade que eles me dão. Ele (Moro) já abriu o debate com mentiras, com agressão. E não sou um candidato do ódio e nem da mentira, mas nós estamos sempre prontos para o enfrentamento.”

Moro voltou a comentar o suposto favorecimento ao Resort Tayayá. “É estranho que tenha sido uma das primeiras obras desse governo. Ele (Sandro Alex) também não respondeu a pergunta que eu fiz sobre a resolução que colocou Credcesta do Banco Master atuando aqui no Paraná. Nós queremos o esclarecimento.”

Acusado por Sandro Alex de ter o tio envolvido em desvios no Porto de Paranaguá (Eduardo Requião, ex-presidente da Administração de Portos de Antonina e Paranaguá), Requião Filho atribuiu a fala ao “desespero” do candidato governista. “Ele deveria explicar os terrenos vendidos no Porto de Paranaguá, o PCC, os carregamentos de cocaína. Ele que explique um pouquinho a sua bagunça antes de querer acusar os outros.” Perguntado sobre sua atuação no debate, Requião Filho disse ter considerado positiva. “Eu gostei muito. A minha mãe está aqui comigo e gostou mais ainda.”

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