O Paraná chega às eleições de 2026 com 8.609.026 pessoas aptas a votar, um crescimento de 1,57% em relação às eleições gerais de 2022, quando eram 8.475.632. Por trás dessa relativa estabilidade no tamanho do eleitorado, porém, há uma mudança significativa nas duas faixas etárias em que o voto é facultativo.

Entre os jovens de 16 e 17 anos, o número de eleitores caiu de 95.684 em 2022 para 77.745 neste ano, uma redução de 18,7%. Na outra ponta, o movimento foi inverso: o contingente de eleitores com 70 anos ou mais passou de 762.096 para 949.909, crescimento de 24,6%. Em quatro anos, portanto, o Paraná passou a ter 17.939 eleitores a menos na faixa de 16 e 17 anos e 187.813 a mais com 70 anos ou mais.

Somados, esses dois grupos etários passaram de 857.780 pessoas em 2022 para 1.027.654 em 2026. Nas duas faixas, o voto é facultativo. O mesmo vale para as pessoas analfabetas. No conjunto dos eleitores que não são obrigados a votar, o TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná) contabiliza cerca de 1,12 milhão de paranaenses neste ano, o equivalente a 13% do eleitorado estadual.

Um movimento semelhante aparece no cenário nacional. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o Brasil passou de 156.454.011 eleitores em 2022 para 158.745.463 neste ano, alta de 1,46%. Enquanto o número de jovens de 16 e 17 anos caiu de 2.116.781 para 1.634.244, uma redução de 22,8%, o eleitorado com 70 anos ou mais passou de 14.893.281 para 17.251.915, crescimento de quase 16% em quatro anos.

A professora de ciência política Andressa Kniess, do Departamento de Ciências Sociais da UEL (Universidade Estadual de Londrina), explica que, em eleições acirradas, pequenas mudanças nas características e no comportamento do eleitorado podem ter impacto sobre o resultado.

“Vamos lembrar que, em 2022, a vantagem de Lula sobre Jair Bolsonaro foi de pouco mais de 2 milhões de votos, em um universo de aproximadamente 118 milhões de votos válidos. E, de acordo com as pesquisas de intenção de voto que vêm sendo divulgadas nas últimas semanas, esta eleição não será muito diferente”, pontua a docente.

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Em uma simulação de segundo turno da pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro, Flávio Bolsonaro (PL) apareceu numericamente à frente entre os eleitores de 16 a 24 anos, com 47%, ante 45% de Lula (PT). Entre os eleitores com 60 anos ou mais, o levantamento mostrou Lula com 49% e Flávio com 44%. Nos dois recortes, porém, os candidatos estão tecnicamente empatados. As margens de erro são de seis e cinco pontos percentuais, respectivamente.

“Nesse cenário, um dos desafios das campanhas é mobilizar os grupos para os quais o voto é facultativo”, pontua Kniess. Nas eleições municipais de 2024, segundo dados da Justiça Eleitoral, o comparecimento dos jovens de 16 e 17 anos às urnas foi maior do que o registrado entre os eleitores de 70 a 74 anos: 93% contra 66,43%.

“Podemos refletir sobre a importância das discussões políticas na internet. Pesquisas recentes indicam que o engajamento político online está associado a uma maior participação eleitoral entre os jovens”, acrescenta a professora, que lembra que os TREs vêm promovendo ações de incentivo à participação de idosos no pleito. “Iniciativas como o treinamento com a urna eletrônica e a explicação sobre a ordem de votação podem facilitar a participação desses eleitores.”

DESAFIO

O professor de ética e filosofia política Elve Cenci, da UEL, ressalta que conquistar a preferência dos eleitores com voto facultativo, tanto idosos quanto jovens, é um “enorme desafio” para os partidos políticos, candidatos e para a sociedade.

“A Justiça Eleitoral considera apenas os votos válidos. Ao não votar, o eleitor está transferindo a escolha dos candidatos para outras pessoas”, pontua o professor. “A efetiva participação da população nas urnas não só confere legitimidade aos eleitos, como também valida o próprio processo democrático.”

Na avaliação de Cenci, o crescimento do eleitorado com 70 anos ou mais e a retração da faixa de 16 e 17 anos refletem a queda da natalidade no país e o aumento da expectativa de vida da população.

“Em termos práticos, esses números mostram que os partidos e candidatos deverão pensar em mais políticas públicas para idosos e repensar suas propostas para jovens. Saúde, mobilidade, previdência, moradia e cuidados em geral são apenas alguns dos desafios enfrentados pelos governantes e que demandam propostas consistentes”, destacou.

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