Crise entre Polícia Federal e ministro André Mendonça atinge o STF
A interferência do ministro na corporação gerou reação dos 27 superintendentes regionais da PF
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sexta-feira, 07 de agosto de 2026
A interferência do ministro na corporação gerou reação dos 27 superintendentes regionais da PF

Brasília - O cenário jurídico brasileiro registra uma escalada de atritos entre a cúpula da Polícia Federal (PF) e o Supremo Tribunal Federal (STF), centralizada nos inquéritos que investigam o Banco Master e fraudes no INSS. A crise ganhou contornos de disputa institucional após decisões do ministro André Mendonça — relator dos casos na Corte —, que impuseram um controle mais rígido sobre o andamento das apurações, levando a corporação a acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) para contestar as exigências.
A tensão atingiu um nível crítico após o ministro determinar que qualquer afastamento ou alteração de policiais na equipe responsável pelas investigações seja comunicado previamente ao seu gabinete, além de exigir que os arquivos brutos e materiais apreendidos — como os da investigação sobre fraudes no INSS — fossem mantidos sob supervisão estrita ou direcionados com indexações específicas.
Enquanto o gabinete do ministro avalia a necessidade de rigor na supervisão de processos complexos, a Polícia Federal classificou as medidas como interferência indevida na gestão interna e na autonomia da instituição. Delegados argumentaram que a equipe designada enfrentava sobrecarga diante do volume de dados exigido pelos prazos estipulados pelo magistrado.
A postura da corporação e de suas lideranças foi firme diante das imposições. Em uma manifestação contundente, os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal publicaram uma nota pública conjunta em defesa do diretor-geral, Andrei Rodrigues, e das prerrogativas da instituição.
"As superintendências regionais da Polícia Federal vêm a público manifestar irrestrito apoio à Direção-General da instituição, na pessoa do Diretor-Geral Andrei Rodrigues, reiterando o compromisso inegociável com a autonomia administrativa, a independência técnica e a impessoalidade na condução de todas as investigações. A atividade policial judiciária pauta-se estritamente pela legalidade e pelo respeito às instituições democráticas, não admitindo qualquer forma de ingerência ou constrangimento que possa comprometer a apuração isenta e rigorosa de crimes, independentemente de quem sejam os investigados."
Em sintonia com a cúpula, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) também se movimentou nos bastidores e em manifestações públicas para blindar as prerrogativas da carreira contra o que classificou como ingerências atípicas na condução de inquéritos sensíveis, exigindo respeito às instâncias investigativas.
Reuniões de alinhamento
Para tentar conter o desgaste entre os órgãos, a AGU atuou diretamente nos bastidores. A Advocacia-Geral da União realizou reuniões nesta quinta-feira (6) para aproximar o ministro André Mendonça da cúpula do governo e do Ministério da Justiça, buscando estabelecer pontes de diálogo com o diretor-geral da PF.
Esses entendimentos conjunturais ajudaram a distensionar o ambiente após a forte reação das superintendências e das associações de classe, pavimentando o caminho para conversas diretas — incluindo reuniões por videoconferência entre o relator do STF e os dirigentes policiais — com o objetivo de assegurar que o avanço das investigações ocorra dentro dos limites do devido processo legal e sem ruídos administrativos.


Da Redação
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