Curitiba - O presidente da Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), Alexandre Curi (Republicanos), anunciou nesta segunda-feira (8) que a cassação do mandato do deputado Renato Freitas (PT) será votada pelo plenário na terça-feira da semana que vem, dia 16 de junho. Freitas teve a cassação recomendada pelo Conselho de Ética da Alep por ter se envolvido em uma briga de rua no centro de Curitiba, em novembro do ano passado.

No dia 11 de maio, o Conselho de Ética aprovou o parecer do deputado Marcio Pacheco (PP) recomendando a cassação. No último dia 2, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou o parecer do deputado Luiz Fernando Guerra (Novo), que acatou o pedido para cassar o mandato. O Projeto de Resolução apresentado pelo Conselho de Ética, que declara o mandato cassado, foi lido nesta segunda-feira e entrará na pauta na próxima semana.

Renato Freitas já anunciou que vai recorrer à Justiça caso a cassação seja aprovada. A defesa do deputado argumenta que o Conselho de Ética não aceitou que o vídeo completo da briga fosse anexado ao processo – foram mostradas apenas imagens aceleradas.

Segundo Freitas, ele, sua companhia grávida e um assessor parlamentar voltavam de um exame médico quando o manobrista Weslley de Souza quase os atropelou sobre a calçada. Após uma pequena discussão, Weslley estacionou o carro e saiu correndo em direção a Renato Freitas, o que demonstraria que ele procurou a briga. Esse foi um dos trechos não analisados pela Comissão de Ética.

O advogado de Freitas, Edson Vieira Abdala, diz ainda que o relator no Conselho de Ética era suspeito por ter feito postagens contra o petista. Além disso, o relator do caso na CCJ, Luiz Fernando Guerra (Novo), também estaria impedido, por ser filiado ao partido que denunciou Freitas. Abdala argumenta também que os prazos foram extrapolados.

CASOS IGNORADOS

Nesta segunda-feira, Freitas citou casos de corrupção envolvendo deputados e crimes que teriam sido cometidos por parlamentares que não foram punidos pela Alep. Entre outros, ele se referiu ao ex-presidente da Alep Ademar Traiano (PSD), que confessou ter recebido propina para renovar um contrato com a TV Assembleia. Traiano firmou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público do Paraná, não foi processado, não teve o mandato cassado e hoje é presidente da CCJ.

"E agora essa mesma Casa tem a pachorra, a cara de pau, a desfaçatez e, resumindo, o racismo de olhar para mim e dizer que, em 171 anos de história, o primeiro a ser cassado é um deputado negro de periferia, que não nasceu nas fazendas e não virou doutor por força do dinheiro?", questionou Renato Freitas.

Líder da oposição na Alep e presidente estadual do PT, o deputado Arilson Chiorato disse confiar em uma vitória na Justiça. “O deputado Guerra não podia ser relator, o Código de Ética proíbe que o relator seja do mesmo partido do denunciante. A defesa não teve acesso às imagens na íntegra. (Freitas) foi julgado com base em imagens imprensa. E querem dar uma de moralista, colocar o dedo na cara dos outros”, afirmou. “Essa Casa vai ser seletiva se cassar o Renato Freitas dessa forma, extrapolando o Regimento Interno. Nós vamos ganhar na Justiça. Vai ficar feio para a Casa esse papelão.”

ATO PRÓ-FREITAS

No último sábado (6), Renato Freitas reuniu apoiadores e lideranças em um ato em defesa do mandato, na frente do prédio histórico da UFPR, na Praça Santos Andrade, no centro de Curitiba. Estiveram presentes, entre outros, os deputados federais Gleisi Hoffman (PT-PR), Tadeu Veneri (PT-PR), Glauber Braga (PSOL-RJ), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS). O ator Marco Nanini e o cantor e compositor Nando Reis gravaram vídeos em apoio ao parlamentar.

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