Candidata "não oficial" de Bolsonaro prega renovação no Senado
Preterida pelo PL, deputada federal Aline Sleutjes (Pros) aposta em pautas conservadoras para furar polarização entre Alvaro e Moro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de agosto de 2022
Preterida pelo PL, deputada federal Aline Sleutjes (Pros) aposta em pautas conservadoras para furar polarização entre Alvaro e Moro
Diego Prazeres - Editor 

Preterida como candidata oficial do presidente Jair Bolsonaro (PL) na corrida à única vaga paranaense no Senado - "por questões partidárias", conforme afirma -, a deputada federal Aline Sleutjes (Pros) aposta na bandeira bolsonarista para furar a polarização protagonizada por Alvaro Dias (Podemos) e Sergio Moro (União Brasil) na disputa. Embora o candidato a senador apoiado por Bolsonaro e pelo governador Ratinho Jr. (PSD) seja Paulo Martins (PL), Sleutjes diz não avaliar que sua candidatura possa "dividir" um eleitorado que tem o mesmo perfil. Pesquisas de intenção de voto vêm apontando uma larga vantagem para Alvaro, que busca a reeleição, e Moro em relação aos demais concorrentes.
Aline Sleutjes foi eleita para a Câmara Federal em 2018 na onda conservadora que levou Bolsonaro ao Palácio do Planalto. À época, estava no PSL, que foi extinto para a criação do União Brasil. Após tentativas fracassadas de se filiar ao PL, PP e Republicanos, acabou acolhida pelo Pros para manter sua disposição de concorrer a uma vaga no Senado. Natural de Castro (Campos Gerais), onde mantém sua base política, a deputada cumpriu agenda em Londrina na terça-feira (30), quando aproveitou para visitar a FOLHA.
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"Infelizmente nós vivemos numa organização política em que dependemos de uma sigla partidária. Como não podemos lançar candidaturas avulsas, fui obrigada a encontrar espaço num partido que me desse oportunidade de ser candidata ao Senado e que nas convenções não me tirasse (da disputa) e que me desse a garantia de que eu teria autonomia pra ajudar o presidente Bolsonaro e fazer a minha campanha", afirma.
Questionada se sua candidatura com pautas alinhadas ao bolsonarismo pode vir a dividir o eleitor propenso a escolher o nome oficial do presidente ao Senado no Estado, a deputada diz que não. "O Paraná precisa de uma pessoa que primeiro seja paranaense, depois que conheça todo o Estado, depois que atenda os municípios, que seja municipalista e que goste de gente", afirma, fazendo referência ao fato de Martins ser paulista. "Acho que não divido votos, voto se conquista e sempre foi em cima de muito trabalho, nunca usei a imagem do Bolsonaro como bengala".
Sleutjes também sustenta que seria "leviano" retirar sua candidatura mesmo sem o apoio oficial de Bolsonaro porque, segundo ela, o próprio presidente a teria incentivado a se lançar ao Senado ainda em novembro, do ano passado, quando não havia nomes na disputa. E também porque ela diz que é preciso renovação na bancada paranaense no Senado e aumentar a representatividade feminina no Congresso. "Estamos na luta para mostrar que é momento de renovação. Não estou menosprezando a trajetória do Alvaro Dias, mas acredito que tem a hora certa pra se aposentar, pra sair, e pra dar espaço pra outra pessoa que venha com mais garra, com sangue nos olhos", diz.
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