Bolsonaro inicia reabilitação após cirurgia de hérnia inguinal
Procedimento inclui fisioterapia, otimização de analgesia e medidas farmacológicas para prevenção de trombose
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
Procedimento inclui fisioterapia, otimização de analgesia e medidas farmacológicas para prevenção de trombose
André Richter - Agência Brasil 

Brasília - O ex-presidente Jair Bolsonaro continua internado em Brasília (DF), após a cirurgia para tratar uma hérnia inguinal bilateral. De acordo com boletim médico divulgado na tarde desta sexta-feira (26), ele iniciou reabilitação com fisioterapia, otimização de analgesia e medidas farmacológicas para prevenção de trombose.
“Foram realizados ajustes das medicações para soluço e para doença do refluxo gastro-esofágico. No dia de hoje, não há previsão de novos exames complementares ou procedimentos”, diz o boletim assinado pela equipe médica.
Na manhã desta quinta-feira (25), Bolsonaro foi submetido ao procedimento em um hospital particular da capital federal, com autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A cirurgia demorou mais de três horas e, segundo os médicos responsáveis, transcorreu conforme o previsto.
Em entrevista à imprensa nesta quinta-feira (25), o cirurgião Cláudio Birolini explicou que a hérnia identificada do lado esquerdo do abdômen ainda estava em fase inicial, sendo menor que a existente do lado direito, mas a equipe médica concluiu que seria mais oportuno operá-la agora, para tentar evitar uma futura cirurgia para tratar o problema.
Durante a cirurgia, feita sob anestesia geral, os médicos implantaram uma tela de polipropileno na parte interna da parede abdominal, reforçando-a para evitar a ocorrência de outras hérnias. A previsão inicial é que Bolsonaro demore entre cinco e sete dias para a recuperação.
Esta é a oitava cirurgia a que Bolsonaro é submetido após a facada que sofreu na campanha eleitoral de 2018, em Juiz de Fora (MG).
Além disso, os médicos vão reavaliar a necessidade de um procedimento para tentar sanar os soluços recorrentes que há meses acometem o ex-presidente. Os soluços preocupam por afetar e prejudicar a respiração e o sono de Bolsonaro, gerando cansaço adicional e atrapalhando a recuperação do ex-presidente.
Vigilância
Condenado pela trama golpista que culminou com os ataques às sedes do Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, ele está detido na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, desde 25 de novembro.
Por determinação judicial, enquanto estiver internado, o ex-presidente deverá ser vigiado 24 horas por dia, com manutenção de dois agentes na porta do quarto, além de outras equipes dentro e fora do hospital.
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FLÁVIO, O INDICADO
Na quinta-feira, Flávio Bolsonaro compareceu ao hospital antes da cirurgia e leu aos jornalistas uma carta escrita de próprio punho e assinada pelo ex-presidente.
"Diante desse cenário de injustiça, e com o compromisso de não permitir que a vontade popular seja silenciada, tomo a decisão de indicar o Flávio Bolsonaro como pré-candidato à presidência da República", diz o texto.
Esta é a primeira mensagem pública de Jair Bolsonaro em vários meses. Ele está proibido de se pronunciar nas redes sociais ou na imprensa sem autorização judicial prévia.
Segundo Flávio Bolsonaro, a carta busca esclarecer qualquer "dúvida" sobre o apoio de seu pai à sua candidatura à Presidência.
"Muitas pessoas dizem que não tinham ouvido da boca dele ou não tinham visto uma carta assinada por ele. Eu acho que isso aqui tira qualquer sombra de dúvida", disse o senador após ler o texto.
Bolsonaro ficou em prisão domiciliar preventiva entre agosto e novembro. Ele foi levado à prisão na sede da Polícia Federal alguns dias antes do previsto por tentar danificar sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda.
A equipe de defesa do ex-presidente solicitou seu retorno à prisão domiciliar devido ao seu estado de saúde, mas seus recursos foram rejeitados pelo Supremo. O tribunal também rejeitou dois recursos contra a sua condenação.
Após receber alta do hospital, Bolsonaro terá que retornar ao pequeno quarto com frigobar, ar-condicionado e televisão onde cumpre pena, em uma sede da Polícia Federal em Brasília.
Durante sua internação no centro médico, ele estará acompanhado por Michelle Bolsonaro, e seus filhos estão autorizados a visitá-lo, sempre sob a vigilância de pelo menos dois policiais na porta do quarto. (Colaborou Juan Sebastian Serrano - France Presse)





