Transmitidos ao vivo pela TV e pelas redes sociais, os interrogatórios de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022) e outros acusados ​​de envolvimento na suposta trama golpista em 2022 também renderam piadas, alusões futebolísticas e bocejos incontáveis ​​do ex-mandatário.

Sob condições de segurança reforçadas com máquinas de raios X e policiais em uma sala sem janelas no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, Bolsonaro (PL) e sete correus depõem desde segunda-feira (9) sobre uma suposta tentativa de golpe, frustrada pela recusa de participação de altos comandantes militares.

Confira a seguir algumas curiosidades apresentadas até agora pelos jornalistas da AFP na sala.

- Encontre-se com o delator -

Um dos momentos mais aguardados dos interrogatórios foi o reencontro, na segunda-feira, entre Bolsonaro e seu ex-ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid, que fez um acordo com o investigador para delatar seus ex-aliados em troca de benefícios judiciais.

Embora breve, as câmeras registraram o momento em que o militar, considerado um traidor pelos bolsonaristas, estende a mão para o ex-presidente, que desenhou um sorriso enquanto Cid apresentava um semblante mais contido.

“Não tenho problema com ele”, disse Bolsonaro sobre Cid, em declarações a jornalistas durante um recesso.

.
. | Foto: TON MOLINA/STF/AFP

- Prisão para Moraes -

Os interrogatórios são conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes, considerado um inimigo político pelo bolsonarismo e contra quem o governo do presidente americano, Donald Trump, avalia importantes avaliações para "perseguir" a direita brasileira.

Moraes se mostrou tranquilo desde o início do processo, inclusive quando Cid admitiu que Bolsonaro alterou um documento que previa o estado de sítio e a "prisão de autoridades" após perder as eleições para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2022.

O ex-presidente “enxugou” o texto para que “somente o senhor” fica “preso”, disse Cid.

A declaração provocou risos em Bolsonaro e uma brincadeira de Moraes, que comentou que as demais autoridades foram beneficiadas por “um habeas corpus”.

- O bocejo do réu -

Se for considerado culpado, Bolsonaro, de 70 anos, pode ser condenado a uma pena de cerca de 40 anos de prisão. No entanto, até agora, o ex-presidente passou boa parte de seu tempo na sala bocejando. "Estou com a consciência tranquila", disse ele na segunda-feira.

Em outros momentos, foi visto fazendo anotações das declarações dos correus.

- Como perder um gol -

Cid também disse ser alvo das “bravatas” de muitos militares, descontentes por não verem avanços na trama golpista ao final de 2022, a poucos dias da posse de Lula.

Para exemplificar a situação, o militar fez uma alusão ao futebol:

"É como se, na final do campeonato, o vencedor perde o gol. O cara vai gritar: 'Pô, esse cara tem que morrer, vou matar esse cara'".

Cid esclareceu que nunca estas brincadeiras dos militares como uma ameaça séria contra ele.

- Golpe no bar -

Cid também tentou tirar o peso da suposta trama golpista de Bolsonaro, ao afirmar que muitos de seus diálogos com militares sobre o tema “era conversa de bar, com guaraná e salgadinho”.

Moraes retrucou, afirmando, em tom de brincadeira, que se bebeu refrigerante, "então não era conversa de bar".

O ministro do STF, que também teria sido alvo de um plano de assassinato, juntamente com Lula e o vice-presidente, Geraldo Alckmin, segundo a Procuradoria Geral da República, pediu ao ex-ajudante de ordens de Bolsonaro que detalhasse o tipo de críticas das quais ele era alvo nos círculos militares.

"Tem que falar a verdade. Eu estou habituado", pediu Moraes ao acusado, que soltou uma risada e admitiu que o magistrado era alvo de "insultos" e "memes".

mockup