Imagem ilustrativa da imagem Assembleia Legislativa tem ano 'morno'



Curitiba – Ao contrário de anos anteriores, quando fatos ocorridos na AL (Assembleia Legislativa) do Paraná repercutiram não só localmente, mas em todo o País, as atenções dos deputados estaduais em 2017 se voltaram mais aos acontecimentos de Brasília. O arquivamento das denúncias contra o presidente Michel Temer (PMDB-SP), a criação de um teto de gastos para os Estados, as investigações das Operações Lava Jato e Carne Fraca e a aprovação da reforma trabalhista foram alguns dos assuntos que pautaram as discussões na Casa.

De polêmicas locais, destacam-se a delação premiada de Eduardo Lopes de Souza, dono da Construtora Valor, investigada pela Operação Quadro Negro, a opção da gestão tucana em mais uma vez não garantir a data-base do funcionalismo e a autorização, por parte do STJ (Superior Tribunal de Justiça), da abertura de dois novos inquéritos para investigar o governador Beto Richa (PSDB). Apesar de exploradas pela oposição, as notícias negativas não chegaram a abalar o ambiente morno do Legislativo ao longo do ano.

A Assembleia abriu seus trabalhos no dia 2 de fevereiro, mediante protesto de servidores, que não conseguiram autorização para entrar no prédio, e sem a presença do governador, como costumava ser praxe. A sessão foi inteiramente dedicada à posse da Mesa Executiva. Beto, que cumpria outra agenda, foi representado pelo chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni (PSDB). Os manifestantes, em sua maioria professores, reivindicavam a revogação de uma resolução relativa à distribuição de aulas e funções na rede pública de ensino.

A presença dos docentes dentro e nos arredores da AL, aliás, foi uma constante no ano. Em muitas das 126 sessões ordinárias e 21 extraordinárias, eles fizeram barulho nas galerias ou foram vistos visitando os gabinetes. Entretanto, a pressão passou longe da verificada em 2015, quando houve ocupação do pátio e do plenário do Legislativo, além do histórico "confronto" ou batalha do Centro Cívico, que deixou mais de 200 feridos, todos contrários à reforma na Paranaprevidência. Formada por 33, dos 54 membros da Casa, a base aliada também não teve dificuldade de aprovar seus projetos.

A crise econômica foi a justificativa para que, novamente, a administração estadual não concedesse o reajuste à categoria. Tanto a LDO ( Lei de Diretrizes Orçamentárias ) de 2018, aprovada em julho, como a LOA (Lei Orçamentária Anual), sancionada em dezembro, condicionam o pagamento da data-base dos cerca de 300 mil funcionários públicos, entre ativos e aposentados, à disponibilidade financeira. O Executivo argumenta que a prioridade é quitar as progressões e promoções de carreira e que os salários estão em dia, o que não acontece nas demais unidades da federação.

LEIA TAMBÉM

Confira outros fatos que marcaram o ano na política paranaense


Para o líder da oposição, Tadeu Veneri (PT), o ano foi bastante duro. "Foi um ano de perda de direitos e de chantagens, e em todos os níveis - estadual ou municipal - com governadores dizendo que o Estado 'a' ou 'b' só está em situação confortável devido ao arrocho imposto aos trabalhadores. Aqui na Assembleia todo dia nos deparamos com uma permanente luta para não perder mais do que já perdemos. E eu falo nós, a população", criticou.

O líder da situação, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), tem avaliação diferente. Elogiou a "lealdade, a coerência e o respeito que sempre pautaram" o relacionamento com os colegas. "Sou uma pessoa reativa, muitas vezes sou intempestivo, mas não mando recados e falo o que estou pensando."
Segundo ele, houve boas convergências com o bloco independente [que não se diz nem governista nem oposicionista], graças ao ano "menos tenso". "Da mesma forma foi a relação com a oposição. O Tadeu exerce a liderança [da bancada] de uma forma que facilita o diálogo", destacou.

mockup