Arquidiocese de Londrina lança cartilha para orientar fiéis sobre eleições
Documento da CNBB é apartidário e busca conscientizar sobre a importância da democracia; arcebispo ressalta necessidade do diálogo em meio à polarização
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de julho de 2026
Documento da CNBB é apartidário e busca conscientizar sobre a importância da democracia; arcebispo ressalta necessidade do diálogo em meio à polarização

A Arquidiocese de Londrina lançou oficialmente nesta quinta-feira (9) a cartilha com orientações sobre as eleições gerais de 2026. O documento é produzido pela Regional Sul 2 da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) e lançado, desde 2008, em todos os anos eleitorais, tanto gerais quanto municipais.
A cartilha tem 24 páginas e é dividida em três blocos, sendo o primeiro sobre a relação entre a igreja e a política, o segundo sobre as eleições deste ano e, por último, o bloco que trata da temática deste ano da cartilha: “A política melhor e a cultura do encontro”. O documento é apartidário e tem uma linguagem simples e didática, inclusive com ilustrações.
Arcebispo de Londrina e presidente da Regional Sul 2 da CNBB, Dom Geremias Steinmetz explica que a polarização é algo que vem dificultando o diálogo entre as pessoas. “O diálogo precisa ser implementado para que o mundo possa continuar se compreendendo e se entendendo para oferecer as melhores soluções”, afirma.
A igreja, de acordo com o arcebispo, vem tratando da sinodalidade, que nada mais é do que ‘caminhar juntos’ e dialogar as questões da fé, que vai de encontro com a temática da política melhor e da cultura do encontro. “Que a construção da sociedade seja sempre um consenso, a partir de um discernimento bem feito, com características e orientações que encontramos na Constituição, que encontramos também na fé, que encontramos na nossa cultura. É assim que nós vamos encontrar os melhores caminhos para podermos sempre caminharmos juntos”, detalha.
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Ser voz daqueles que não têm
Assim como nas outras publicações, o arcebispo explica que o objetivo da cartilha é oferecer à sociedade uma visão da política a partir da fé, mostrando características importantes da doutrina social da igreja que nasce do Evangelho de Jesus Cristo. Segundo ele, a Igreja Católica prioriza o debate com as necessidades da sociedade de hoje e se coloca a serviço dos vulneráveis, buscando ser a voz daqueles que não têm.
“Pelo menos há 130 anos a igreja tem falado sobre questões importantíssimas que depois, inclusive, ajudaram a sociedade a se entender melhor e a regulamentar muitas situações”, afirma. Segundo o arcebispo, a primeira encíclica publicada por um Papa tratava sobre a Revolução Industrial, sendo que, a partir desse documento, foram moldadas muitas das orientações acerca da justiça no trabalho.
“Elas são muito importantes para regulamentar o trabalho e para que os trabalhadores tenham os seus direitos respeitados”, esclarece, pontuando que, ao longo do tempo, outras encíclicas trataram de temas sensíveis e fundamentais, como a educação e a saúde.
A primeira encíclica publicada pelo Papa Leão XIV, chamada de Magnifica Humanitas, aborda um tema atual da sociedade: a inteligência artificial. “É um campo que ainda precisa ser bastante regulamentado”, aponta o religioso, citando que o documento do líder da igreja pode contribuir para esse trabalho.
'Consciência cidadã'
Representando a Subseção de Londrina da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Arthur Lustosa Strozzi destaca que hoje há uma ‘pulverização de informações’ que chega de maneira muito dispersa aos eleitores, sendo necessário que elas passem por ‘filtros’.
“A cartilha traz uma consciência cidadã plena em razão do acesso à informação, como buscar meios de comunicação oficiais para não cair, por exemplo, no uso indiscriminado de inteligências artificiais”, opina. Segundo ele, a lei proíbe a utilização indevida dessa tecnologia, mas garante que é fundamental uma população consciente e que possa filtrar o que é verdade do que é falso.
O advogado afirma que um debate saudável sobre a política é fundamental, como é destacado no tema da cartilha, que aborda a cultura do encontro. “Nós vivenciamos um período aqui no Brasil extremamente complicado sobre o tema da política. Uma polarização que gerou desavenças familiares, mortes, coisas que nunca imaginávamos que iríamos passar”, relata.
Ele afirma que a cartilha convida a população a debater de maneira consciente o assunto, pautado sempre pela valorização da democracia. “Um valor que não busca uma unanimidade, mas busca o respeito para a opinião diversa dentro de uma cultura de tolerância, de diálogo e de uma construção do bem comum”, finaliza.


Jéssica Sabbadini
Repórter com atuação na cobertura local.




