A Prefeitura de Londrina tem observado uma redução na inadimplência do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) em 2026, após uma série de mudanças na forma de cobrança do tributo, que é uma das principais fontes de arrecadação do município. O valor líquido estimado para este ano é de R$ 587 milhões, segundo dados da Secretaria Municipal de Fazenda.

A FOLHA apurou que, até esta quarta-feira (8), foram arrecadados pouco mais de R$ 352 milhões, o que corresponde a 60% do total. O saldo parcelado que ainda deve entrar nos cofres da Prefeitura é de R$ 102 milhões, e a inadimplência efetiva é de quase R$ 96 milhões, ou 16,34%.

O percentual é menor que o registrado em dezembro de 2025, quando a dívida do IPTU estava na casa de 17%. Antes do programa Regulariza Londrina, a inadimplência chegou a 27%, conforme levantamento da Fazenda, que estima 10% como um patamar ideal para o município.

Além de alterar a forma de cobrança, enviando apenas a guia para pagamento à vista e o boleto da primeira parcela, a administração mudou as datas de vencimento, que passaram para 10 de fevereiro e 10 de março, com o objetivo de adequar o pagamento ao orçamento das famílias londrinenses. Para o secretário municipal da Fazenda, Eder Pires, essas mudanças trouxeram resultados.

“É uma sinalização de que aquele projeto de reestruturação da forma de cobrança, de já trazer a lei com limitação do Profis para os próximos cinco anos, começa a ter um efeito positivo na redução da inadimplência”, afirmou.

Pires pondera que parte dos valores parcelados ainda pode se transformar em dívida, caso o contribuinte deixe de quitar as próximas prestações. Mesmo assim, a leitura da Fazenda é que o desempenho parcial de 2026 já indica uma melhora em relação ao ano anterior.

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Outra mudança considerada importante pela Prefeitura foi a antecipação da cobrança dos contribuintes que não pagaram nenhuma parcela do imposto. Até 2025, como o município enviava os boletos das dez parcelas, a inscrição em dívida ativa costumava ocorrer apenas na virada do ano, com a cobrança efetiva começando no exercício seguinte. Neste ano, quem pagou a primeira parcela recebeu os boletos seguintes. Já os contribuintes que não quitaram nenhuma guia receberam uma nova cobrança, com vencimento em 30 de junho, e aviso de que a inscrição em dívida ativa ocorreria a partir de julho. “Nós praticamente estamos antecipando a cobrança em pelo menos seis meses”, explicou o secretário.

Com isso, a Prefeitura pretende antecipar medidas como o protesto da dívida e a execução fiscal, começando pelos maiores valores em aberto. A administração também reduziu o limite para protesto de dívidas de IPTU. Até o ano passado, só podiam ser protestados débitos acima de R$ 100 mil. Agora, a regra vale para valores acima de R$ 10 mil.

“Qual era a nossa leitura? Que tinha um contribuinte que não pagava no começo do ano porque tinha expectativa de que o Refis chegaria até o final do ano. Agora, a gente está antecipando essa cobrança, e a própria lei proíbe um programa de regularização especial”, afirmou.

“Se nós olharmos a arrecadação própria, o ISS [Imposto Sobre Serviços] é a maior arrecadação, próximo de R$ 600 milhões, e o IPTU fica próximo dos R$ 500 milhões. Então, em termos de arrecadação própria, é uma receita relevante, a segunda maior do município”, acrescentou.

CAUTELA NAS FINANÇAS

Apesar do desempenho do IPTU, Pires alerta que a situação financeira da Prefeitura continua exigindo cautela no segundo semestre. Segundo ele, o primeiro semestre costuma ser mais confortável por concentrar a entrada de receitas como IPTU e IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), mas o cenário muda a partir de julho. A projeção para setembro, outubro, novembro e dezembro ainda é de forte pressão sobre o caixa, mesmo com a melhora na arrecadação do IPTU.

“Apesar de termos um bom desempenho de arrecadação, reduzindo inadimplência, tivemos uma queda do IPVA, que também é um valor relevante. E as despesas são continuadas. Muitos contratos são de 24 ou 36 meses, serviços essenciais que a gente não consegue simplesmente cortar ou rescindir”, completou.

Embora não haja um decreto de contingenciamento de recursos, como ocorreu em 2025, a administração mantém controle rígido sobre as despesas.

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