A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) decidiu revogar o processo de licitação que buscava conceder o TRL (Terminal Rodoviário de Londrina) à iniciativa privada. A tentativa de transferir a administração do espaço vem se arrastando desde 2023, quando a CML (Câmara Municipal de Londrina) autorizou a concessão, ainda durante a gestão do ex-prefeito Marcelo Belinati (PP), mas não chegou a ser concretizada.

A decisão da companhia, contudo, não chega a ser uma novidade. A FOLHA mostrou, em março de 2026, que o TCE-PR (Tribunal de Contas do Estado do Paraná) confirmou irregularidades no edital publicado em 2024 e determinou que, caso o município optasse por manter o certame, o documento fosse corrigido e republicado, com a reabertura dos prazos.

Entre os problemas denunciados ao TCE-PR estavam a alteração dos valores das tarifas de embarque por meio de errata (um aumento de quase 14% em relação à versão inicial), sem a reabertura do prazo para apresentação de propostas ou a reapreciação do certame, e a exigência de visita técnica ao TRL sem a possibilidade de substituição por uma declaração da empresa interessada.

Problemas estruturais

Em março, enquanto a licitação para a concessão permanecia suspensa, a CMTU informou que pretendia contratar uma empresa para elaborar o projeto de reforma do terminal. Depois da conclusão do projeto, a companhia buscaria recursos para executar as obras, com o objetivo de solucionar problemas estruturais que há anos causam transtornos a usuários e lojistas. As goteiras espalhadas pelo prédio nos dias de chuva são apenas o problema mais evidente. A situação de abandono da rodoviária, construída em 1988 a partir de um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, se arrasta há anos.

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A decisão de revogar a licitação consta em um documento assinado no dia 16 de julho pelo presidente da CMTU, Renan Salvador. Ele afirma que a manutenção do processo, “nas condições atualmente estabelecidas”, deixou de ser a alternativa mais adequada ao atendimento do interesse público. Salvador também informa que a companhia está realizando estudos técnicos, operacionais, econômicos e jurídicos para a “remodelação” do projeto. O documento indica, portanto, que a concessão do terminal à iniciativa privada não foi descartada.

“Os estudos em desenvolvimento contemplam a reavaliação do modelo de concessão, das obrigações da futura concessionária, dos investimentos necessários, dos indicadores de desempenho, da matriz de riscos, da sustentabilidade econômico-financeira do empreendimento, dos mecanismos de fiscalização e das formas de remuneração, buscando assegurar maior eficiência administrativa, ampliação da competitividade, segurança jurídica e melhor prestação dos serviços aos usuários”, diz o presidente da CMTU no documento.

‘Não era razoável'

Em nota, a companhia afirmou que, diante dos estudos para a implantação de um novo modelo, “não era razoável manter suspenso um processo desde 2024, por isso, a opção por revogar a licitação, dando mais transparência administrativa ao processo”.

“A CMTU-LD reafirma seu compromisso com a transparência, o planejamento e a boa gestão dos recursos públicos, assegurando que a futura licitação será estruturada para oferecer a solução mais vantajosa para a administração pública e para a população londrinense”, completa a nota.

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