CRISE INSTITUCIONAL -

Após carta aberta, entidades evitam foco em discursos de Bolsonaro no 7 de Setembro


Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha
Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha

Após publicarem uma carta aberta em que criticam o que consideram interferência do STF (Supremo Tribunal Federal) nos outros poderes e pedem harmonia entre eles e uma pauta para a retomada econômica, entidades representantes de setores produtivos de Londrina evitaram avaliar os efeitos e consequências dos discursos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no último 7 de setembro, data em que é celebrada a Independência do Brasil.


 

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. | Isaac Fontana/FramePhoto/Folhapress
 


Representantes de duas das dez entidades subscritas na carta aberta - que foi publicada na FOLHA - consideraram, ainda, que as manifestações de apoio ao presidente demonstram o civismo dos participantes, já que não houve conflitos ou outro tipo de intercorrência. No documento, elas deixam claro que os pontos defendidos não têm a ver com partidarismo.


Em discursos em Brasília, pela manhã, e na Avenida Paulista, em São Paulo, à tarde, Bolsonaro fez críticas duras ao STF, pedindo intervenção em relação ao ministro Alexandre de Moraes, a quem chamou de “canalha” por mais de uma vez


Nos dois discursos, Bolsonaro não tocou em assuntos que afetam a população, como a escalada meteórica dos preços dos combustíveis e dos alimentos, o alto desemprego, a ausência de um plano para retomada da economia ou sobre a vacinação contra a Covid-19.


AVALIAÇÃO

A presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Marcia Manfrin, e o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Antônio Sampaio, consideram que as manifestações de terça-feira foram uma forma de a população ser ouvida, “já que não se sente representada por seus políticos”, avaliou Sampaio.


Marcia afirmou que havia receio em relação às manifestações, devido à polarização política entre os brasileiros e até mesmo de conflito entre os Três Poderes. “No entanto, a movimentação aconteceu de forma pacífica, organizada e, mais uma vez, a democracia prevaleceu, no sentido que pudemos nos expressar, sem vandalismo ou agressões”, ressaltou.


Por outro lado, ambos preferiram não opinar em relação às palavras de Bolsonaro. Marcia disse que o presidente “tem um jeito próprio de se expressar”. “Esperamos que os impactos não sejam tão sérios e que nós possamos ver o país avançando nas reformas, tão necessárias para que o país volte a se desenvolver”, afirmou,  ao defender reformas administrativa e tributária, que estão paradas no Congresso.


Para a presidente da Acil, “independentemente do discurso do presidente”, seria necessário mudar o modelo mental dos políticos brasileiros, de forma que pensem mais no País, na sociedade e na geração de riquezas em detrimento ao próprio mandato. “O político tem de fazer suas entregas em relação ao que o povo que o elegeu anseia, mas isso fica perdido no meio da preocupação com a reeleição", avalia.


Para Sampaio, está na hora de o Brasil sair da guerra política e entrar no âmbito da recuperação econômica. “Cada um deveria cuidar daquilo que é da sua responsabilidade e da sua alçada. Se todos executassem aquilo que está na sua alçada, sem interferência de poderes, briga políticas ou desmandos, o país já haveria avançado muito mais”, diz o agricultor, que vê muita interferência do Judiciário sobre o Executivo e o Legislativo.


Entretanto, para ele, a forma de Bolsonaro se manifestar é uma reação de alguém que é atacado “24 horas por dia”, mas a ausência de pautas econômicas e de saúde em suas falas no 7 de Setembro não são surpreendentes. “Ele foi a estes atos falar com pessoas que o apoiam. Mas temos que avaliar por outro lado, também: o que as pessoas que estavam lá esperavam que ele dissesse? O que eles esperam ouvir destes políticos? Talvez, ele consiga ser mais claro [para a população] que os outros”, avaliou.


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