Curitiba - O ex-governador do Paraná e ex-senador Alvaro Dias anunciou nesta quinta-feira (23) que deixou o Podemos, partido ao qual se filiou em 2017 e pelo qual disputou a Presidência da República em 2018. Em nota publicada nas redes sociais, Alvaro disse que sua intenção de construir um partido alternativo foi atrapalhado por um “sistema nefasto”.

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“Há pouco mais de oito anos, ao lado de militantes da política, sonhei a construção de um partido alternativo que pudesse recuperar a crença de brasileiros na instituição partidária”, afirmou o ex-governador. “Hoje, confesso! Meus sonhos foram sepultados, engolidos pela força de um sistema nefasto que teima em sobreviver. Não posso compactuar com isso. Com tristeza, despeço-me do Podemos e agradeço imensamente a todos que me acompanharam até aqui, sonhando os mesmos sonhos e alimentando a mesma fé e esperança.”

A saída do Podemos indica que Alvaro Dias poderá voltar a se candidatar em 2026. Seu nome passou a aparecer nas pesquisas de intenção de voto para a disputa por uma das duas vagas no Senado em 2026 e ele apareceu na liderança do levantamento do Instituto Paraná Pesquisas divulgado em julho. A pesquisa mostrou Alvaro com 43,8% das intenções de voto, à frente de do deputado estadual Alexandre Curi (PSD), dos federais Filipe Barros (PL) e Zeca Dirceu (PT) e da jornalista Cristina Graeml (hoje no União).

DE VOLTA AO PSDB?

O ex-governador não confirma, mas poderia voltar ao PSDB, partido ao qual se filiou pela primeira vez em 1994. Eleito senador em 1998, Alvaro Dias foi expulso do PSDB em 2002, por defender a instalação da CPI da Corrupção durante o governo do também tucano Fernando Henrique Cardoso. Seguiu para o PDT e disputou o governo do Paraná no mesmo ano (foi derrotado no segundo turno por Roberto Requião, então no PMDB). Em 2023, foi convidado pelo PSDB para retornar. De volta ao partido, foi reeleito senador em 2006. Permaneceu no Senado até 2022, quando foi derrotado por Sergio Moro (União).

A volta ao PSDB faria parte da estratégia da legenda para voltar a disputar cargos de relevância. Esvaziado após os efeitos da operação Lava Jato e da ascensão do ex-presidente Jair Bolsonaro, o partido oficializou na última quarta-feira o retorno do ex-governador do Ceará e presidenciável Ciro Gomes. No Paraná, o ex-governador Beto Richa já anunciou a intenção de concorrer ao governo. Com Ciro, Richa e Alvaro Dias, o PSDB poderia formar um palanque de peso para a disputa de 2026.

Já o Podemos passa por um processo de esvaziamento no Estado. Em fevereiro, o senador Oriovisto Guimarães deixou o partido e assinou a ficha de filiação do PSDB. Em setembro, Cristina Graeml (segunda colocada nas eleições municipais de Curitiba no ano passado) migrou para o União Brasil. Também nesta quinta, o deputado estadual Denian Couto anunciou que deixará o Podemos. Em nota, ele afirmou que a legenda vem caminhando “no sentido contrário de seus próprios valores”.

A reportagem tentou contato com Alvaro Dias na tarde desta quinta-feira, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria.

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