Uma concessão que definirá o futuro do Paraná
O contrato previsto pela ANTT terá validade de 30 anos e abrange a malha ferroviária de todo o Sul do País
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de agosto de 2026
O contrato previsto pela ANTT terá validade de 30 anos e abrange a malha ferroviária de todo o Sul do País
Folha de Londrina 
A nova concessão da Malha Sul ferroviária é uma das decisões mais importantes para a infraestrutura do Sul do Brasil nas próximas décadas. O contrato previsto pela ANTT terá validade de 30 anos. Isso significa que eventuais erros no modelo adotado dificilmente poderão ser corrigidos em curto prazo, tornando essencial que o debate atual resulte em um projeto sólido, transparente e comprometido com o desenvolvimento regional.
As audiências públicas mostraram que há divergências entre governos, setor produtivo e especialistas. Elas são naturais em um empreendimento dessa dimensão. O que não pode faltar é disposição para aperfeiçoar o edital antes do leilão, garantindo que o interesse público prevaleça sobre disputas pontuais.
O Paraná ocupa posição estratégica nesse debate. O corredor Paraná-Santa Catarina concentra a maior parte da movimentação de cargas da Malha Sul e conecta importantes polos produtores aos portos de Paranaguá e São Francisco do Sul. Trata-se do trecho mais rentável da concessão e de um dos principais eixos logísticos do agronegócio e da indústria brasileiros.
É legítimo, portanto, que o Estado reivindique que os recursos gerados por esse corredor sejam prioritariamente reinvestidos na solução de gargalos históricos. A modernização da Serra da Esperança, a ampliação dos pátios ferroviários e a construção do Contorno de Curitiba são obras aguardadas há anos e têm potencial para elevar significativamente a capacidade de transporte. Estimativas apresentadas pelo setor produtivo apontam que o volume movimentado por ferrovia no Paraná poderia passar de 12 milhões para 32 milhões de toneladas anuais.
Ao mesmo tempo, seria um equívoco enxergar a concessão apenas sob a ótica estadual. A competitividade do Paraná também depende da integração logística com Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Uma malha ferroviária eficiente exige continuidade operacional, interoperabilidade e planejamento regional. O desenvolvimento de um estado não deve ocorrer às custas do enfraquecimento dos demais.
As críticas à dificuldade de acesso aos estudos técnicos e os pedidos de ampliação do prazo para análise das propostas também merecem atenção. Transparência não atrasa investimentos; ao contrário, fortalece a segurança jurídica e reduz o risco de decisões equivocadas. As decisões tomadas agora influenciarão a economia, a competitividade e a logística da região pelos próximos 30 anos. Por isso, é fundamental o amplo debate sobre o tema.
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