Sul e Sudeste concentram maior número de pediatras
Em 2024, o Brasil contava com 47.787 pediatras em atuação
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de julho de 2025
Em 2024, o Brasil contava com 47.787 pediatras em atuação
Folha de Londrina 
O Brasil celebrou o Dia do Pediatra, neste 27 de julho, convidando a uma reflexão: embora conte com um número expressivo desses profissionais, sua distribuição pelo território nacional é alarmantemente desigual. Segundo o estudo Demografia Médica no Brasil 2025, há em média 94,72 pediatras para cada 100 mil jovens de até 19 anos. No entanto, essa média oculta disparidades preocupantes entre regiões.
Estados do Sul e Sudeste, como Rio Grande do Sul e São Paulo, e também o Distrito Federal, no Centro-Oeste, apresentam pelo menos cinco vezes mais pediatras por criança e adolescente do que estados do Norte e Nordeste, como Amapá, Amazonas, Acre, Pará e Maranhão, que são os cinco com menor cobertura.
O Distrito Federal lidera com a maior proporção, registrando 258,35 pediatras para cada 100 mil habitantes de até 19 anos, considerando a população jovem estimada em 54,5 milhões. Em seguida, vêm Rio de Janeiro (147,85), Espírito Santo (140,15), São Paulo (136,08) e Rio Grande do Sul (126,03). Já o Maranhão tem a menor oferta, com apenas 27,98 pediatras para cada 100 mil crianças e adolescentes, seguido por Pará (28,74), Acre (33,35), Amazonas (37,48) e Amapá (38).
Os dados são do estudo Demografia Médica no Brasil 2025, divulgado em abril pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), que mostra que o país contava com 47.787 pediatras ativos em 2024.
Em 2022, dados da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) mostravam que o Paraná contava com 2.500 médicos desta área. Uma pesquisa no site do CRM-PR (Conselho Regional de Medicina-Paraná) apontou que a representação regional de Londrina do órgão, que atende 8 municípios, tem 293 pediatras. Londrina possui a maior parte dos profissionais (265), seguido por Cambé (15), Assaí (6), Andirá (3). Florestópolis, Porecatu, Ribeirão do Pinhal e Tamarana possuem um especialista cada um, segundo dados do CRM-PR.
Vale ressaltar que os pediatras estão majoritariamente concentrados na rede privada e nos grandes centros urbanos, o que acentua a exclusão daqueles que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).
Especialistas ouvidos pela reportagem defendem que a causa da má distribuição de médicos pediatras pelas diversas regiões do País não está na falta de profissionais, mas em fatores estruturais, como vínculos empregatícios frágeis no SUS, ausência de planos de carreira atrativos e condições de trabalho desfavoráveis. Soma-se a isso o afastamento histórico dos pediatras da Atenção Primária à Saúde, um erro estratégico que compromete o cuidado integral e preventivo das crianças, especialmente as mais vulneráveis.
Apesar de o Ministério da Saúde reconhecer o problema e investir na ampliação de programas de residência médica em regiões carentes desses profissionais, como o Norte do Brasil, ainda há um longo caminho a percorrer. A formação de novos profissionais precisa ser acompanhada por políticas que garantam sua fixação em áreas de maior necessidade.
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