Sarampo: prevenir é proteger
A proximidade entre Paraná e São Paulo e o fluxo de pessoas entre as regiões aumentam a preocupação da Sesa
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segunda-feira, 24 de agosto de 2026
A proximidade entre Paraná e São Paulo e o fluxo de pessoas entre as regiões aumentam a preocupação da Sesa
Folha de Londrina 
Diante da confirmação de casos autóctones de sarampo em São Paulo, a decisão da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde do Paraná) de reforçar imediatamente as medidas de vigilância, prevenção e vacinação merece reconhecimento. Em saúde pública, a pior estratégia é esperar que um problema atravesse a fronteira para só então agir. Antecipar-se ao risco é justamente o que se espera de uma gestão pública responsável.
O Paraná não registra casos confirmados de sarampo desde junho de 2020. Os números recentes mostram que a vigilância vem funcionando: em 2026, foram 73 notificações de casos suspeitos, das quais 71 já foram descartadas e duas permanecem sob investigação. Em 2025, todas as 259 notificações foram descartadas, assim como ocorreu com as 125 suspeitas registradas em 2024. Para manter esse cenário, é preciso redobrar a atenção.
A proximidade entre Paraná e São Paulo e o fluxo de pessoas entre as regiões aumentam a preocupação da Sesa, que também mantém diálogo com o governo do Paraguai para ampliar a proteção nas áreas de fronteira.
Desde o início do ano, a Sesa intensificou ações de vacinação extramuros contra o sarampo nos aeroportos de Curitiba, Maringá, Foz do Iguaçu, Londrina e Cascavel. O trabalho é desenvolvido em parceria com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e busca ampliar a proteção em locais de grande circulação de pessoas.
A estratégia também foi levada para as cidades paranaenses de fronteira com outros países, especialmente Foz do Iguaçu e Guaíra. O governo estadual mantém conversas com o governo do Paraguai para desenvolver campanhas simultâneas de vacinação e reforçar a barreira sanitária nos dois lados da fronteira.
A Sesa também promoveu, em parceria com o Ministério da Saúde, uma capacitação para técnicos e profissionais da rede pública, com o objetivo de fortalecer a identificação de casos suspeitos e a capacidade de resposta do sistema de saúde.
Outra ação é aumentar a cobertura vacinal contra o sarampo. No Paraná, a cobertura da primeira dose (D1) da vacina tríplice viral entre crianças de até 1 ano está em 95,02%, índice que alcança a meta de 95% considerada necessária para reduzir a circulação do vírus. Já a segunda dose (D2) está em 80,56%, mostrando que ainda há espaço importante para avançar.
O sarampo não deve ser tratado como uma doença do passado. Extremamente contagioso, pode provocar complicações graves e atingir especialmente crianças pequenas e outros grupos vulneráveis. O retorno da transmissão em diferentes regiões do mundo é uma prova do que acontece quando a proteção coletiva diminui.
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