O desempenho da economia brasileira no segundo trimestre merece ser recebido como uma notícia positiva, mas sem espaço para euforia. Com crescimento de 0,5% em relação aos três primeiros meses do ano, o Brasil teve o quinto melhor resultado entre 50 economias que já divulgaram seus números. Também avançou para a décima posição entre as maiores economias do mundo, subindo uma posição no ranking. São indicadores relevantes em um cenário internacional de crescimento moderado.

Os mesmos números, porém, mostram que a atividade econômica perdeu força. Depois de avançar 1,1% no primeiro trimestre, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu menos da metade no período seguinte. O consumo das famílias recuou 0,4%, enquanto os investimentos, embora tenham aumentado 1,2%, desaceleraram de forma significativa em relação aos 3,4% registrados anteriormente.

O resultado também evidencia a importância do agronegócio para a economia brasileira. A agropecuária cresceu 2,8% no trimestre e 6,8% na comparação anual, impulsionada por ganhos de produção e produtividade. É uma contribuição importante, mas reforça também a necessidade de que outros setores tenham condições de acompanhar esse desempenho. Para isso, é preciso investimentos em infraestrutura, inovação, produtividade e qualificação, além de um ambiente econômico que estimule decisões de longo prazo.

O avanço para a décima maior economia do mundo também merece registro. O resultado do segundo trimestre mostra que o Brasil tem capacidade de crescer acima da média internacional. O próximo passo é transformar esse crescimento em uma trajetória consistente, capaz de gerar mais renda, oportunidades e bem-estar. Mais importante do que subir algumas posições em um ranking será fazer com que a expansão da economia seja percebida na vida dos brasileiros.

A pouco mais de um mês das eleições de 4 de outubro, quando milhões de brasileiros vão às urnas para escolher seus representantes, o PIB é um indicador importante que deve entrar no debate eleitoral nesta reta final de campanha. Haverá aqueles que enxergam o copo meio cheio e outros, meio vazio.

Enquanto o governo tende a destacar o viés positivo dos números, a oposição deverá enfatizar a desaceleração da atividade. O fato é que a economia é um tema de primeira importância e conhecer as propostas dos candidatos para estimular o crescimento, ampliar investimentos, gerar empregos e melhorar a renda é fundamental para uma escolha consciente do voto.

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