PIB brasileiro tem 5º maior crescimento no segundo trimestre
País sobe da 11ª para a 10ª posição entre as maiores economias, mas atividade perde força
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de setembro de 2026
País sobe da 11ª para a 10ª posição entre as maiores economias, mas atividade perde força

O crescimento de 0,5% da economia brasileira na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026 coloca o país na quinta posição entre 50 economias que já divulgaram os resultados do PIB (Produto Interno Bruto) no período. O desempenho ficou à frente de países como Estados Unidos e China, mas também revela uma perda de ritmo da atividade econômica brasileira.
Os dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a expansão de 0,5% veio depois de um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre. Apesar da desaceleração, o resultado ficou acima das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,4%.
O ranqueamento das economias foi divulgado pela agência classificadora de risco de crédito Austin Rating, com dados do FMI (Fundo Monetário Internacional), órgão ligado às Nações Unidas. O topo é ocupado pela Irlanda, com expansão de 1%. Na sequência aparecem Indonésia, com 0,9%; Angola, com 0,7%; e Malásia, com 0,6%. O Brasil, com 0,5%, aparece em quinto lugar.
O desempenho brasileiro também ficou acima da média das 50 economias analisadas, de 0,2%, assim como das médias dos países da Zona do Euro, de 0,1%, e do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido).
O PIB brasileiro totalizou R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre, sendo R$ 2,9 trilhões referentes ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 487,9 bilhões correspondentes aos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 2%. Nessa base de comparação, houve avanço na Agropecuária, de 6,8%; na Indústria, de 1,5%; e nos Serviços, também de 1,5%. No acumulado de quatro trimestres encerrados em junho, o PIB apresentou alta de 1,9% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.
Agropecuária puxa resultado
Na comparação com o trimestre anterior, o desempenho da economia foi puxado pela Agropecuária, que cresceu 2,8%. Serviços avançaram 0,2%, enquanto a Indústria teve alta de 0,1%. No campo, o resultado foi influenciado por ganhos de produção e produtividade, com destaque para a soja, cuja produção tem crescimento estimado de 5,3%, e o café, de 15,1%.
Na Indústria, o avanço de 3,4% nas atividades extrativas foi parcialmente compensado por quedas nas Indústrias de transformação e na Construção, ambas de 0,4%, e em Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos, de 1,1%. Nos Serviços, os destaques foram Informação e comunicação (2,1%) e Transporte, armazenagem e correio (1,1%). O Comércio ficou estável.
Consumo perde força
Um dos sinais de perda de fôlego da economia aparece no consumo das famílias, que recuou 0,4% no segundo trimestre. Foi o pior resultado nessa base de comparação desde o quarto trimestre de 2024, quando a queda foi de 0,6%. No primeiro trimestre deste ano, o consumo havia crescido 0,8%.
Os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, cresceram 1,2%, mas também desaceleraram em relação aos 3,4% registrados no primeiro trimestre. O Consumo do Governo avançou 0,4%, mantendo o ritmo anterior. No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços caíram 0,8%, enquanto as Importações cresceram 1,8%.
O PIB mede o tamanho e o desempenho da economia, mas não revela, por si só, aspectos como distribuição de renda e qualidade de vida.
Para 2026, o Ministério da Fazenda estima crescimento econômico de 2,3%.
Brasil avança entre as maiores economias
A Austin Rating também compara os países pelo tamanho de suas economias. Nessa classificação, o Brasil avançou da 11ª posição, ocupada em 2025, para a décima colocação em 2026.
Segundo as projeções utilizadas pela agência, o país deverá ultrapassar a Rússia e alcançar a nona posição entre as maiores economias do mundo em 2027.
Os Estados Unidos permanecem na liderança, com PIB estimado em US$ 32,38 trilhões, seguidos pela China, com US$ 20,85 trilhões. A Alemanha aparece em terceiro, com US$ 5,45 trilhões, enquanto o Japão ocupa a quarta posição, com US$ 4,38 trilhões.
O Reino Unido é a quinta maior economia, com US$ 4,26 trilhões, seguido pela Índia, com US$ 4,15 trilhões, e pela França, com US$ 3,60 trilhões. A Itália aparece em oitavo, com US$ 2,74 trilhões. Na nona posição está a Rússia, com US$ 2,66 trilhões, pouco à frente do Brasil, cujo PIB é estimado em US$ 2,64 trilhões.
Completam as 15 maiores economias do mundo o Canadá, com US$ 2,51 trilhões; a Austrália, com US$ 2,12 trilhões; o México, também com US$ 2,12 trilhões; a Espanha, com US$ 2,09 trilhões; e a Coreia, com US$ 1,93 trilhão.
A melhor posição já alcançada pelo Brasil no ranking das maiores economias do mundo foi a sétima colocação, mantida entre 2011 e 2014. (Com informações da Agência Brasil)


Celso Felizardo
Editor com foco em conteúdo e planejamento.


