Com as comemorações dos 50 anos do curso de ciências biológicas da Universidade Estadual de Londrina, iniciadas na noite de 31 de outubro, volta-nos à memória, e ainda mais forte, a figura de sua grande “patronesse”, a inesquecível colega e amiga Profa. Dra. Eleonora Maria Paula Lima Castro Marchese. Apesar de o cinquentenário do curso ter se completado em outubro de 2021, e portanto ainda em período de pandemia da Covid-19, agora sua história e memórias voltaram a ser recuperadas e celebradas pelo colegiado do curso.

No ano de 1971, tempos de turbulência política, propor e defender a criação de um novo curso em universidade pública, que também se criava à mesma época, era uma atitude de coragem, força e resistência. Mas, Eleonora Marchese, bióloga bem preparada, estudiosa, inteligente, entusiasta, determinada, inquieta e visionária, reunia virtudes que permitiram ao primeiro reitor da UEL, Dr. Ascêncio Garcia Lopes, transferir a ela a tarefa de liderar o processo. E, assim, o curso de ciências biológicas recebeu os primeiros alunos em 1972.

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Eleonora havia chegado em Londrina, vinda da capital paulista, no início de 1970, junto com seu esposo, médico Lúcio Tedesco Marchese, acolhendo convite para serem professores na UEL que se iniciava. Ele já cirurgião pediátrico, ela já bióloga graduada em História Natural pelo Instituto de Biociências (IB), ambos formados pela Universidade de São Paulo (USP) tornaram-se docentes pioneiros na UEL. À USP ela voltou mais tarde, temporariamente, para desenvolver e defender sua tese de doutorado em biologia, na área de genética humana.

Desde sua chegada à UEL, Eleonora se destacou como uma referência profissional entre os docentes do departamento de Biologia Geral do Centro de Ciências Biológicas (CCB). Ali lecionou citologia e, por longo tempo, a disciplina de genética, para estudantes das áreas biológicas e da saúde. Quando membro e coordenadora do colegiado do curso de ciências biológicas, novamente liderou o processo de atualizações e readequações curriculares. Realizou atividades de pesquisa e se envolveu com a extensão universitária, responsabilizando-se por exames e laudos de avaliação cromossômica, por meio da análise de cariótipos de pacientes encaminhados pelo Hospital Universitário (HU-UEL).

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Com o grande interesse despertado por esta iniciativa, Eleonora se dedicou, incansavelmente, a idealizar, projetar e buscar recursos materiais e humanos para implantar o Serviço de Aconselhamento Genético (SAG) na UEL. Este serviço viria a auxiliar e dar suporte técnico, científico e psicológico aos casais ou famílias que se deparassem com a possibilidade ou realidade de ter membros ou descendentes portadores de doenças genéticas. Sua luta foi imensa, mas logrou grandes êxitos! O SAG hoje, em pleno funcionamento, é de vital importância para a sociedade de Londrina, região Norte do Paraná e parte de São Paulo e para a extensa região de abrangência dos serviços do HU.

Com esta vasta experiência, Eleonora foi também uma das docentes que ajudou a estruturar o curso de pós-graduação – mestrado em genética e biologia molecular da UEL, fundado em 1989, pelo qual, ainda contribuiu para a formação de novos mestres. Em sua rica trajetória, ela participou também, de maneira ainda mais ampla, da luta pela consolidação da própria UEL como uma universidade pública, democrática e de qualidade. Foi ela quem, impecavelmente, secretariou a organização, realização e documentação final dos dois fóruns de debates havidos na UEL na década de 1980. Destes, brotaram um melhor ordenamento organizacional e tomadas de decisões importantes para a conquista e a consolidação da democracia institucional.

Eleonora, uma bióloga defensora dos valores da vida e uma autêntica e completa professora universitária, é merecedora dos mais altos louvores. A UEL foi premiada com a vinda dessa paulistana de coração londrinense. Ganhamos todos que tivemos a felicidade de estar próximos do seu trabalho e seguir a bandeira que ela segurou com determinação. O seu importante nome não poderia deixar de ser lembrado e enaltecido neste Jubileu de Ouro do curso de ciências biológicas da UEL.

Além dos 50 anos do curso, este texto também vem marcar o triste período de ausência da professora e colega Eleonora, cujo falecimento nos privou de sua convivência desde o dia 19 de outubro de 2012, há 10 anos. Deixou uma filha, Paula de Castro Marchese, médica pediatra e um filho, Mauricio de Castro Marchese, biólogo e docente da UEL.

Ficam registrados os nossos agradecimentos e louvores à Profa. Dra. Eleonora Maria Paula Lima Castro Marchese, por suas lições, contribuições e seu legado à vida.

Berenice Quinzani Jordão é bióloga, docente aposentada e ex-reitora da UEL

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