A guerra pode ser definida como luta armada entre nações, ou entre partidos de uma mesma nacionalidade ou de etnias diferentes, com o fim de impor supremacia ou salvaguardar interesses materiais ou ideológicos.

Mas, precisamente o que norteia a necessidade ou ainda a escolha da violência por parte dos governos? Sabemos que a guerra acontece, e sabemos que ela é parte do comportamento das nações, mas, seria ela defensável?

Em toda a trajetória humana o indiscriminado belicismo nos tornou quem somos, ensejando toda a cultura contemporânea, haja vista os valores bilionários que ainda hoje as grandes potências dispensam ao setor de defesa. Assim como não é possível viver com segurança completa, também não é possível imaginar uma sociedade humana onde a arbitrariedade da guerra seja inexistente, razão pela qual as nações, ricas ou pobres, investem em seus exércitos.

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Se os homens procuram estabelecer relações formais uns com os outros, como pode ser que ainda exista a insegurança que permeia nossas relações e nos leva a guerrear? Como bem questionara Tolstoi:

“É impossível então, os homens viverem em paz, neste mundo tão cheio de beleza, sob este céu incomensuravelmente estrelado? Como podem, num lugar como este alimentar sentimentos de ódio e de vingança e o desejo de destruir seus semelhantes?”

É uma pergunta difícil de responder, mas muitas tem sido as tentativas. A verdade é que a guerra nos acompanha desde o começo das civilizações humanas, nos moldou e nos definiu como Estados e Nações; e ainda hoje segue sendo uma ameaça constante no grande tabuleiro onde se joga o destino do mundo.

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Em suma, uma atividade puramente política, e antes de tudo, cínica, pois seus resultados nunca têm como objetivo final o bem dos povos, mas a dominação de uns sobre os outros. Toda guerra é um crime. Pois quem declara uma guerra autoriza atos criminosos que repugnam à sã razão.

Os homens de guerra não merecem a amizade dos homens pacíficos.

Em Origens do Totalitarismo, a filósofa Hannah Arendt discute com muita propriedade a violência e o estado de guerra que advém como consequência dos regimes totalitários, sejam de direita ou de esquerda. Para ela, o imperialismo europeu foi a semente que deu origem a vícios como o racismo e toda forma de parasitismo na política, e que, em última instância, permitiu o surgimento das fábricas da morte, os campos de extermínio do nazismo. Por isso a luta pela democracia é tão importante. Os poderosos autoritários detestam a democracia e a via pacífica para resolver os problemas. O diálogo racional raramente está sobre a mesa dos autoritários.

Por mais justificada que seja a violência, ela permanece sendo violência. Por mais defensável que seja o despejar de bombas, ou o soar do canhão, eles continuam sendo elementos de morte, e a morte é o único resultado dos conflitos. Justas ou não, as ambições de ambos os lados do campo de batalha se perdem na multidão de corpos desfigurados nas trincheiras.

Wilson Francisco Moreira, cientista social, Londrina.

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